Terminando 2017 de Volta ao Japão!

Tradução Errada Induz Brasileiros a Erro no Japão

A diferença entre o que está escrito em português e japonês pode prejudicar quem assina certos documentos

A diferença entre o que está escrito em português e japonês pode prejudicar quem assina certos documentos.

No Japão, ainda é muito comum que alguns documentos tenham sua tradução para o português - já que não são todos os brasileiros residentes no arquipélago que dominam o idioma local. Entretanto, têm surgido casos de empreiteiras que, por vários motivos, fazem o funcionário assinar uma "carta de demissão", conforme escrito em português, mas que no idioma japonês, se vê claramente "退職届" - taishoku todoke: (pedido de desligamento).

E este simples "erro de tradução" pode prejudicar enormemente o funcionário.

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O ato "induz os funcionários ao erro de interpretação, já que desconhecem as leis japonesas", afirma Marcos Taira-Rocha, membro do sindicato dos trabalhadores que recentemente denunciou dois casos vindos da mesma empreiteira nas redes sociais. "Através desta prática as empreiteiras sem caráter induzem os funcionários a acreditarem que, por algum erro que cometeram, podem ser demitidos e na sequência os funcionários ficando 'convictos' por indução de que realmente erraram, seria uma lógica ter que assinar esse demissão..."

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Não se sabe se tal erro de tradução é intencional ou não, mas o fato é que os funcionários, estando neste estágio de convicção, isto é, de indução de seus próprios erros e com o papel escrito com o título em português "carta de demissão", acabam assinando conforme o pedido do responsável da empreiteira ou fábrica.

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Marcos afirma ter ligado para o tantosha brasileiro da empreiteira em questão e chamado sua atenção para a prática que considera enganosa. Na sequência da ligação a este tantosha brasileiro, ele afirmou ter sido bem claro que a fábrica vai ter que saber deste ato de enganação contra os trabalhadores. Também foi solicitado que se corrigisse o mais depressa possível as traduções dessas cartas, pois induzem ao erro de interpretação - já que, segundo as leis do Japão, há diferença de direitos para o trabalhador que é demitido por parte da empresa e o que pede desligamento.

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No final, Marcos foi convicto: "não assinem absolutamente nada" sem saber do que está escrito! Mesmo havendo uma tradução em português, vários trabalhadores estão sendo lesados por pessoas e empresas que "traduzem errado" de propósito.

Para um trabalhador ser demitido, tem que haver motivos plausíveis, motivos racionais ou este ser acusado de ter infringido alguma regra interna da empresa "就業規則" - shugyou kisoku, e não uma vez apenas, mas sim o mesmo erro recorrente. Mesmo acontecendo isto, o trabalhador tem o direito de pedir desculpas ou perdão se for o caso e receber o perdão da empresa, caso a empresa não perdoe por algum motivo, este trabalhador tem o direito de processar a empresa por não ter perdoado e mantido o desligamento.

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Não se sabe ainda se tais casos aconteceram por má fé da empreiteira em questão ou frutos de um "honest mistake" por parte de quem traduziu o documento, mas uma certeza permanece: precisamos de melhores tradutores no Japão - já que entre ser demitido e pedir desligamento existe um oceano de distância....

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