Abdicação do Imperador Japonês Aprovada

Agora é pra valer: a Dieta do Japão aprovou lei que permite a abdicação do Imperador Akihito

Agora é pra valer: a Dieta do Japão aprovou lei que permite a abdicação do Imperador Akihito

A Dieta Japonesa promulgou uma lei na sexta-feira que permite ao Imperador Akihito abdicar de seu trono, a primeira abdicação em mais de dois séculos.

O popular monarca, hoje com 83 anos, chocou o país meses atrás quando indicou seu desejo de se aposentar após quase trinta anos no Trono de Crisântemo, citando sua idade avançada e problemas de saúde.

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Sua vontade tornou-se um desafio, uma vez que não havia uma regra para lidar com um imperador se retirando de um trabalho que geralmente dura uma vida inteira. Então surgiram com uma solução: uma regra única, aprovada em decisão unânime.

A abdicação deve ocorrer dentro de três anos após a nova lei entrar em vigor ou expira - e só se aplica a Akihito (ou seja, não pode ser usada pelo próximo monarca). A mídia japonesa aponta 2018 como uma data provável, mas isso não passa de um rumor.

Situação Sensível


O status do imperador é uma posição complicada no Japão, dada a história de guerra do país e o histórico do pai de Akihito, Hirohito, que morreu em 1989 e foi imperador durante a expansão militar do Japão nos anos 30 e durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de já terem existido outras abdicações na longa história imperial do Japão, a última foi há mais de 200 anos, então os políticos tiveram que elaborar nova legislação para torná-la possível.

Akihito nasceu em 1933, quando o Japão estava embarcando em sua varredura militarista na Ásia, e tinha 11 anos quando a guerra terminou em derrota. Seu pai continuou no trono após a derrota, mas seu status foi rebaixado de soberano semi-devino para uma figura sem nenhum poder político.

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Quando coroado, Akihito abraçou o papel e tentou usá-lo para ajudar a curar as cicatrizes da guerra, enquanto remodelava uma das monarquias mais antigas do mundo para uma era democrática. Mesmo antes de assumir o trono, Akihito rompeu a tradição ao se casar com a filha de um rico magnata de farinha em 1959, tornando-se o primeiro herdeiro imperial a se casar com uma plebeia. Hoje, o casal é visto como pessoas acessíveis dentro de uma monarquia que permanece em grande parte nas sombras, ao contrário da realeza britânica por exemplo.

O casal frequenta eventos públicos e consola vítimas de catástrofes naturais, como no terremoto de 2011. Apesar de oficialmente impedido de comentar sobre política, o imperador, ao longo dos anos, insinuou suas próprias visões anti-nacionalistas e não parece nem um pouco satisfeito com os rumos traçados pelo Primeiro Ministro Shinzo Abe.

Sempre de forma indireta - inclusive, muito se comenta nos bastidores que a renúncia ao trono é uma maneira de repreender as políticas nacionalistas de Abe -, o imperador expressou "remorso profundo" pelas ações do país na Segunda Guerra Mundial.

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Shinzo Abe, por sua vez, quer mudar a constituição pacifista imposta pelos Estados Unidos ao Japão após a guerra e limitar os direitos dos estrangeiros que vivem no arquipélago.

Como não há muitos herdeiros do sexo masculinos elegíveis ao trono (após contarmos o filho de 10 anos do irmão mais novo de Prince Naruhito, Akishino), a sucessão de séculos do Trono Japonês poderia estar em risco se Hisahito não tiver um filho homem. Por isso, a Dieta pediu um debate sobre dar às mulheres um papel maior na monarquia, mas a idéia - incluindo a possibilidade de deixar as mulheres subirem ao trono - apesar de popular e desejada pelos japoneses comuns, foi ignorada pelos tradicionalistas, incluindo o atual primeiro-ministro e outros conservadores de mentalidade retrógrada.

Os membros da família imperial feminina perdem seu status real após o casamento com um plebeiro, um ponto destacado pela recente notícia de que uma das netas da Akihito, a princesa Mako, planeja se casar com seu namorado de faculdade.

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