Robocraft - Esquadrão "Morri"!

A Polêmica Lei Antiterrorismo Japonesa

A imprensa já a chama de "Lei da Conspiração"

Numa era marcada por Donald Trump e a futura renúncia do Imperador, o parlamento japonês aprovou ontem, quinta-feira (15), uma estranha lei "Contra a Preparação de Atentados e Outros Atos Criminosos", algo que gerou muitos protestos de gente preocupada com as (poucas) liberdades individuais que ainda restam no Arquipélago.

Siga nossas redes sociais

Políticos da oposição tentaram atrasar o prazo de adoção da lei ao apresentar um movimento de desconfiança contra o governo ultra conservador de Shinzo Abe e uma moção de censura contra o ministro da Justiça, Katsutoshi Kaneda.

Mas lógico que foi inútil.

O governo, que detém maioria nas duas Casas e usa sua justificativa-padrão para tudo atualmente, diz que a nova lei é uma prevenção visando os Jogos Olímpicos de 2020 em Tokyo. A lei permitirá a prisão de uma pessoa ou de um grupo de pessoas por participar na preparação ou realização de ações terroristas ou criminais, entretanto muitos detalhes são obscuros.

Infelizmente, quase ninguém teve acesso ao documento na íntegra. Por isso, organizações de defesa dos direitos humanos e grupos de advogados acham que o objetivo da lei pode ser autorizar escutas ilegais de cidadãos inocentes ou retirar garantias individuais presentes na Constituição Japonesa.

Leia também: Lei de Abdicação Aprovada

Falando nisso, você talvez não tenha notado, mas milhares de japoneses têm saído às ruas nas últimas semanas denunciando este projeto de lei, que já sofreu várias revisões e mudanças.

Ontem, por exemplo, mais de 500 pessoas se reuniram com cartazes criticando o governo Abe e mostrando o perigo da censura e da repressão, que tem aumentado desde que o Primeiro Ministro começou sua escalada pelo poder.

A última versão do texto, aprovada nesta quinta, reduz o número de crimes e delitos contemplados para 270. Isso mesmo, você não leu errado: no Japão, um dos países mais seguros do mundo, agora DUZENTOS E SETENTA CRIMES deixaram de ser "comuns" e são considerados "atos de terrorismo". Mas antes era pior.

Leia também: Nova Onda de Brasileiros no Japão

Mais de 600 delitos comuns, sem qualquer vínculo ao terrorismo ou ao crime organizado, estavam presentes nas versões anteriores. Os meios de comunicação locais, mesmo sofrendo a constante censura governamental, compararam o texto com a "lei de preservação da segurança pública", em vigor durante a Segunda Guerra Mundial, em virtude da qual os cidadãos podiam ser detidos por delitos políticos, reivindicação de direitos sociais ou oposição à guerra.

Siga nossas redes sociais

Comentários