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João Doria e o Morador de Rua

Isca Intelectual do Luciano Pires, que nunca deixa de me surpreender...

Isca Intelectual do Luciano Pires, que nunca deixa de me surpreender...

Morando no Japão a quase cinco anos, muitas vezes eu até esqueço de checar as notícias sobre o Brasil. Mas, por causa do Pocket Hobby, sempre estou de olho nas mídias sociais - e notei que todo mundo ontem estava compartilhando um vídeo de um morador de rua apanhando de guardas municipais em São Paulo.

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Já vou avisando: são imagens angustiantes, que causam revolta em qualquer cidadão de bem.


Pouco depois o Luciano Pires, do Café Brasil, publicou um artigo sobre o tema, que me fez refletir sobre a reação das pessoas nas mídias sociais: primeiro, o Twitter estava enlouquecido, todo mundo xingando o guarda municipal que perdeu a cabeça, exagerou e cometeu um crime (sim, o que ele fez é crime, e deve ser punido com o rigor da lei). No WhatsApp, tinha até gente que eu não conhecia me mandando o vídeo.

Então, lá foi João Doria, o prefeito de SP, pra internet fazer o que todo político faria numa situação assim: declarar seu repúdio quanto ao fato, dizendo que pediu para o guarda em questão ser afastado e prometendo punir os infratores.

É a partir desse momento que a história começa a ficar realmente interessante e inusitada...

Imediatamente, as mídias sociais repercutiram: “populista”, “demagogo”, “marqueteiro”! E  Doria surpreendeu (pelo menos a mim), respondendo a tudo isso com outro vídeo no dia seguinte, dizendo que arrumou emprego na prefeitura para o morador de rua e sua esposa.


As mídias sociais então enlouqueceram: “populista”, “demagogo”, “marqueteiro”, gritavam. Para muita gente (incluindo o Luciano Pires, que inspirou este artigo), o que chamou a atenção foi a diferença entre as respostas de Doria e as que estamos acostumados a ouvir dos políticos: vamos criar um grupo de estudos; estamos criando uma comissão para averiguar os fatos; isso é o capitalismo, etc.

João Doria agiu como raramente um político é capaz de atuar: reconheceu o óbvio, puniu o culpado e tentou compensar a vítima. É assim que se faz “gestão”, disse o Luciano no artigo dele.

Eu acredito que é assim que se faz justiça.

Dizer que o cara é “populista”, “oportunista” ou “marqueteiro”, do conforto da sua casa, com o iPhone na mão é, no mínimo, demagogia de sofá.

É como ele fez que devia ser sempre: alguém fez uma cagada? Reconheça o erro - puna o culpado - compense a vítima. Repita o procedimento toda a vez que encontrar situação semelhante e conte para todo mundo (as mídias socias estão aí pra isso). Dê o exemplo. Faça a diferença, não importa se você está aqui no Japão ou lá no Brasil.

Ao invés de criar mimimi nas mídias sociais, elogie esta atitude acertada do Dória, quem sabe assim mais gente segue o exemplo. E quando ele fizer algo errado, cometer um deslize, arriscar uma pedalada, daí sim a gente critica, corre atrás, fala mal.

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