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Visto Permanente Após UM ANO de Japão?

Entenda o que é fato e o que é boato sobre as mudanças na lei de imigração japonesa

Entenda o que é fato e o que é boato sobre as mudanças na lei de imigração japonesa.


Quando se trata de Japão, e principalmente quando o assunto é relacionado aos estrangeiros que vivem no arquipélago, basta uma fagulha de esperança pra todo mundo começar a inventar notícias falsas.

A última que entrou no meu radar - e me provocou um acesso de riso - foi outra daquelas manchetes caça-cliques de um "blog de notícias" direcionado aos brasileiros no Japão. Aliás, está virando meio que um hábito meu fuçar os absurdos que esses caras inventam, vou pedir emprego no e-farsas.

Tudo que sei sobre (mais) essa fake news é que alguém decidiu ventilar fofocas sobre a possibilidade de Visto Permanente após um ano no Japão.


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De imediato suspeitei: como assim, um dos países mais abertamente xenófobos do mundo, com a política de imigração mais estrangulada e burocrática do planeta, de uma hora pra outra vai mudar as regras, afrouxar as leis, tornar a vida de quem quer vir morar no arquipélago mais fácil a troco de nada?!

Claro que não era nada disso.

Se, por um lado, a história tem um pé na realidade, por outro a questão é bem mais profunda que isso. Sim, o governo japonês vem afrouxando as leis de imigração de uns anos pra cá, pois percebeu, após a crise de 2008, que depende da mão de obra estrangeira mais do que gosta de admitir.

E sim, esta é uma sociedade em declínio, com um modo de vida engessado, uma população envelhecida e pouca mão de obra especializada.

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E é justamente para suprir a demanda de engenheiros, técnicos e profissionais altamente capacitados que o governo decidiu aliviar as exigências e permitir que estrangeiros tenham acesso ao visto de maneira facilitada. Mas atenção: só poderá solicitar o visto permanente após um ano morando no Japão quem tenha entrado no país com visto de trabalhador qualificado (portanto, todos que tem o visto de descendente estão fora do processo) e também obtenha pelo menos 70 pontos classificatórios nessa lista aqui (e, acredite, não é nada fácil atingir os critérios mínimos).

Em outras palavras: apenas engenheiros, técnicos, pesquisadores qualificados e professores universitários terão acesso ao benefício. Eles tem preferência e o governo está lutando para "vender" a Terra do Sol Nascente como uma opção profissional para essas pessoas.

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Para o resto das pessoas - trabalhadores comuns, nipo-descendentes e outros - tudo continua igual.

E, para completar, o Ministério da Justiça seguirá com a política de analisar cada caso em separado, adaptando as leis conforme convém a eles - e não a você.

Portanto, não espalhe notícia falsa. Pouquíssimos estrangeiros que já vivem no Japão terão direito ao benefício - e quem disser o contrário ou está mentindo, te enganando ou caçando cliques internet afora.

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby