Robocraft - Esquadrão "Morri"!

Japoneses Preferem Robôs a Estrangeiros Trabalhando em Asilos

Ainda mais se for um robô-urso.

Ainda mais se for um robô-urso.


Pelo menos foi assim que Robear, "o robô forte com toque suave", foi apresentado em Nagoya. Ele é um robô-enfermeiro, com aquele toque de fofura quase bizarro, tão característico de tudo o que é japonês.

Forte o suficiente para levantar japoneses idosos e carregá-los ao banheiro, mas também suave o suficiente para auxiliá-los em suas necessidades diárias mais básicas, seus idealizadores enxergam nele o futuro dos asilos e casas de idosos por todo o Japão.

Criado na Universidade Meijo em Nagoya e desenvolvido no RIKEN, um instituto de pesquisa financiado pelo governo, ele é o fruto incompleto de polpudos subsídios monetários do governo japonês para promover o uso de robôs no cuidado de idosos.


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Mas as demonstrações iniciais indicam que o robô ainda não está pronto para uso - e pode não estar por décadas. "É mais um robô acadêmico", diz Toshiharu Mukai, um dos criadores, pontuando também que Robear tem dificuldades para manobrar nas latas de sardinha que são alguns dos apartamentos japoneses.

Os próprios desenvolvedores, num tiro no pé, admitiram que robôs mais práticos já estão disponíveis no mercado, como o Paro, feito para manter conversas básicas com idosos japoneses para evitar a demência, isolamento e depressão. Depois, há o Kirobo Mini, o robô-criança revelado pela Toyota que serve de companhia às legiões de mulheres japonesas sem filhos. Mas ainda não há robô que possa fornecer apoio emocional para os idosos, ouvir suas necessidades, cuidar deles, e de outra forma tornar seus anos de crepúsculo mais completos.

"Nossos robôs não podem substituir o trabalho humano. Ainda"

reconheceu o criador


O governo japonês diz que, devido à contração da mão-de-obra, bem como uma maior demanda por cuidados a idosos, o país terá 380 mil enfermeiros trabalhando em 2025, embora muitos especialistas independentes prevejam mais de 500 mil.

A solução mais óbvia seria importar enfermeiros e trabalhadores de cuidados de países vizinhos do Sudeste Asiático, como Filipinas e Indonésia, onde o desemprego continua a ser um problema persistente para enfermeiros treinados. Mas até agora a migração de mão-de-obra é limitada.

E, enquanto Shinzo Abe for o Primeiro Ministro, as coisas continuarão difíceis para os estrangeiros. "Eu diria que antes de aceitar imigrantes ou refugiados, precisamos ter mais mulheres e idosos no mercado de trabalho, além de aumentar nossa taxa de natalidade. Há muitas coisas que devemos fazer antes de aceitar os imigrantes ", disse ele repetidas vezes, mostrando a resistência japonesa em aceitar estrangeiros.

Conheça mais (em inglês)


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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby