O Lado Bom e o Ruim de Ser Estrangeiro no Japão

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Muitas pessoas que nunca vieram ao Japão tem a impressão (baseada em estereótipos errados) de que o Japão é um país muito rígido e conservador e que, portanto, é difícil para os estrangeiros viverem aqui.

Por outro lado, quem já está por aqui algumas vezes só alimenta falsos boatos e, portanto, resume o Japão ao silêncio das ruas, lojas de tecnologia e tentáculos pervertidos dos animes.

Embora não admitam, essas pessoas também sabem que a verdade é um meio termo entre ambas opções. Sim, há coisas muito benéficas para os estrangeiros, mas nenhum outro produtor de conteúdo irá te mostrar os verdadeiros problemas dessa sociedade.

Portanto, eu e o pessoal do Pocket Hobby decidimos criar uma pequena lista mostrando os maiores prós e contras deste arquipélago.


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Lado Bom: Sabendo Inglês, Qualquer Um Se Vira


Decidi começar com uma meia-verdade (já que, sendo também professor de inglês, eu sei como a língua inglesa é benéfica para uma vida plena fora do Brasil). Mas esta verdade tem suas limitações por dois motivos: acredito que, para experimentar verdadeiramente o Japão, você deve também falar a língua japonesa, tanto para comunicar-se com os japoneses quanto para compreender melhor essa cultura milenar, contraditória e, muitas vezes, complicada.

Em segundo lugar, fora dos grandes centros urbano, poucos são os japoneses que realmente falam Inglês.

Entretanto, muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades conseguem viver uma rotina  confortável no Japão devido em grande parte ao fato de serem falantes nativos (ou quase) de Inglês. Aliás, se você é bilíngüe, suas possibilidades de viver e trabalhar no Japão como professor aumentam.

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Principalmente porque (como já disse acima) a maioria dos japoneses não fala Inglês, e precisam desesperadamente de professores de língua competentes. Um deles, aliás, me disse que inveja a certos estrangeiros porque eles "podem vir ao Japão ou viajar a muitos outros lugares do mundo só porque falam Inglês. Nós, japoneses, não podemos simplesmente porque só conseguimos falar japonês".


Lado Ruim: Ser Aceito Pela Sociedade é Difícil Impossível


Não existe maneira fácil de dizer isso: se você não é japonês, nunca será verdadeiramente aceito nesta sociedade. Não importa se você é descendente ou não, se domina o idioma ou não, se é casado com um nativo ou não. Um estrangeiro no Japão sempre será um estrangeiro no Japão. "Gaijin", pária mesmo.

E quem afirma o contrário ou é mentiroso ou sem vergonha.

Sim, muitos brasileiros vivem hoje no Japão mas, cedo ou tarde, brasileiro ou não, todo mundo escuta a derradeira frase: "ま ぁ, 外人だからしょうがない" (Você é estrangeiro, não tem jeito). No final das contas, para pertencer ao Japão, para ser verdadeiramente aceito, é preciso não somente ter uma parte de sangue japonês nas veias, mas também dominar plenamente a língua e se sentir do Japão - ou seja, pensar como um japonês. Ter apenas uma dessas coisas não te garante tudo, já que "metade de algo é metade de nada".

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A maioria de nós é física ou psicologicamente incapaz de satisfazer todos estes requisitos, e alguns japoneses avaliam tais fatores subconscientemente. O lado bom dessa história é que isso está se tornando uma coisa menos comum nas grandes cidades; contudo ainda está bastante vivo em certos lugares do interior (onde, não por acaso, a maioria dos estrangeiros vivem).

Lado Bom: Não Precisamos Respeitar Certas Regras de Etiqueta Locais


Para mim, esta é uma vantagem mas, novamente, isso vai depender da sua visão de mundo. Os japoneses têm que estar constantemente considerando seu lugar na sociedade de acordo com a hierarquia japonesa, principalmente no trabalho. Eles precisam ser capazes de "sentir o clima" e são constantemente cobrados a tomarem a "decisão certa" (seja lá o que isso signifique), precisam saber falar e escrever com a quantidade correta de polidez (ou casualidade) em cada situação.

Além disso, a sociedade japonesa é famosa pela pressão psicológica que exerce sobre os seus.

Como estrangeiros, estamos (na maior parte do tempo) liberados de tais obrigações. Não precisamos nos comportar como eles, não precisamos seguir os mesmos padrões nem respeitar as mesmas regras sociais simplesmente porque não fomos educados na mesma cultura. Até certo ponto, claro, podemos fugir dos protocolos estabelecidos sem maiores consequências.

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Por conta disso, muitos estrangeiros têm vivido felizes no Japão por muitos anos, isolados da sociedade local, sendo capazes de observar, mas quase nunca capazes de participar ativamente. Outra vez, se isso é bom ou ruim, depende muito da sua visão de mundo, caro leitor.

Observação: não confunda regras sociais com Leis. Enquanto a primeira se refere a padrões de comportamento, a última deve ser respeitada, esteja você de acordo ou não.

Lado Ruim: Opções de Trabalho Sempre Limitadas


Esta talvez seja a outra extremidade fato citado acima. Embora seja verdade que você possa viver e trabalhar no Japão sem falar (ou falando somente o básico) de japonês, você estará quase inteiramente limitado a trabalhos braçais, à rotina das fábricas, à lojas de estrangeiros ou, pior, a sub-empregos.

A menos que você tenha muita sorte.

Para outra gama de empregos no Japão, a maioria das empresas exigem pelo menos um certificado JLPT N2 (Nível 2 no Teste de Proficiência em Língua Japonesa, o segundo mais difícil teste atualmente), além de conhecimentos sobre a cultura e os costumes locais.

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Além disso, com as crises econômicas e o aumento da xenofobia mundo afora, mesmo os jovens estrangeiros que frequentaram a vida inteira o sistema escolar japonês tem encontrado dificuldades em conseguir bons trabalhos. Injusto? Talvez, mas é assim que as coisas funcionam por aqui.

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby