A Coreia do Norte Atacará o Japão?

Nenhuma boa ação fica sem punição - KonoSuba 2 #1

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Depois de uma primeira temporada hilária, “A Bencão sobre esse Maravilhoso Mundo” volta às telas japonesas para, de novo, brincar com os clichês do gênero, fazer piada com o próprio roteiro e nos entreter por mais alguns episódios.

Eu confesso: sou um fã inveterado de Sono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo” desde sua estreia, portanto vai ficar difícil, pelo menos dessa vez, criar um texto imparcial (como venho fazendo com Fuuka, Youjo Senki e tantos outros animes). Mas também, como não se apaixonar por uma história onde o protagonista é um otaku hikikomori que literalmente morre de susto, a principal divindade da mitologia de um mundo de RPG é uma egocêntrica inútil e - o mais importante, amigos! - cenas ecchi conseguem disparar uma gargalhada atrás da outra?!

Enfim. Eu tentei, juro que tentei, não criar expectativas à respeito dessa continuação, já que muitos outros títulos voltaram de um hiato piores do que eram na estreia. Mas claro que KonoSuba não decepcionou, pelo contrário: logo de cara já evocou Star Wars e sua icônica introdução pra rememorar cenas da primeira temporada, onde Kazuma e sua pequena guilda defenderam a cidade dos iniciantes (como são chamados os jovens aventureiros nesse mundo paralelo de fantasia RPG) de Dullahan, o Cavaleiro sem Cabeça que não tinha nada de vilão, e destruiram aquela aranha mecânica gigante descontrolada que ameaçava transformar a cidade em pó.


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Claro que metade da cidade precisou também ser destruída no processo, né, mas quem liga? Esse é um anime de ação, aventura, queremos mesmo é ver a Megumin botar fogo no mundo!


E como diz o título, nenhuma boa ação fica sem punição. Logo nos primeiros minutos do episódio, Kazuma é encarcerado por oficiais do governo - e lógico que todo mundo tira o corpo fora pra não ir preso também. Segue-se um interrogatório, onde um detector de mentiras mágico faz nosso protagonista confessar as partes mais vergonhosas de sua vida a uma promotora gostosona.

O Sininho do Bem e do Mal


Mas o aparelho também faz seus captores perceberem que as intenções de Kazuma ao defender a cidade (e destruir metade dela no processo) eram boas, acima de tudo. Um tanto atrapalhadas, amadoras, inconsequentes e atrapalhadas, mas boas. E aí é que entra uma característica muito típica da cultura japonesa: Kazuma muda de atitude, começa a exigir um tratamento melhor dentro da prisão (de onde Aqua, a deusa mais desengonçada da face do Paraíso, tentou ajuda-lo a escapar por duas noites e falhou miseravelmente) e durante o interrogatório.

Ele literalmente "fala grosso", reclama do chá que lhe é servido, ganha confiança, e o pior de tudo é que a promotora também muda de atitude, baixando a cabeça repetidas vezes e oferecendo suas mais sinceras desculpas.

Muitos japoneses se comportam do mesmíssimo jeito pedante no mundo real.


Acho que é uma maneira que eles encontram de expor suas frustrações. Basta um simples errinho, uma injustiça mínima, que até o mais pacato dos jii-chan (velhinhos) vira um verdadeiro bicho, gritando, reclamando e ofendendo um interlocutor que apenas abaixa a cabeça e pede desculpas. Não são raros os casos de pessoas tratarem funcionários "inferiores", como garçonetes, atendentes de lojinhas de conveniência e funcionários públicos de maneira pedante, arrogante e, aos meu ver, de se comportarem feito verdadeiras malas folgadas sem alça - principalmente quando o outro lado comete um engano que nós, ocidentais, poderíamos considerar pequeno. É assim que funciona essa sociedade nipônica hierarquizada, onde o cliente tem sempre razão e, principalmente na esfera governamental, nenhum equívoco passa sem humilhação.

Lembra quando altos funcionários de multinacionais aparecem baixando a cabeça em coletivas de imprensa? Lembra quando o prefeito de Osaka chorou feito bebê na TV e virou um dos memes mais engraçados do ano passado? Pois é, tudo reflexo dessa cultura de "abaixar a cabeça". Aqui, quem erra primeiro toma mais pedrada.

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Mas estou me desviando do assunto. No final das contas, Kazuma é levado a um julgamento a céu aberto, diante de uma praça cheia de espectadores. O legal é que, no anime, é inverno, a mesma estação atual no Japão, então espere por piadas na neve - e eu corto o meu mindinho se os caras não soltarem um episódio fanservice em algum onsen ou casa de banho pra expor o harém de aventureiras do nosso protagonista...

Quando tudo parecia perdido, uma ação rápida de Darkness faz com que o julgamento seja suspenso, mas todos os bens, conforto e riquezas que nosso pequeno grupo de aventureiros conseguiram na primeira temporada são apreendidos para pagar dívidas.

E assim, pobres, chafurdados em problemas e desamparados, nossa pequena guilda começa a segunda temporada desta aventura!


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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

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