A Coreia do Norte Atacará o Japão?

Japinha Hipster - Fuuka #1

Japinha Hipster - Fuuka #1.1
Preciso confessar: eu não tenho muita paciência com animes "slice of life". Sim, eu sei que esse tipo de obra serve para conhecermos a rotina de uma terra estrangeira - principalmente no caso do Japão, com costumes e tradições tão diferentes das nossas - e também entendo a importância de histórias "pé no chão". Nem todo mundo curte fantasia, robôs gigantes, zumbis...

Mas eu já vivo aqui. Sei um pouco sobre os costumes, a cultura, tradições, e embora ainda me falte muito para conhecer, pensava não precisar das obras de ficção para me ensinar o que posso aprender abrindo a porta da frente da minha casa.

E, acredite, pensar assim quase me fez cometer o maior erro de todos: achar que já sei tudo.

Ninguém sabe tudo. Ninguém é perfeito, muito menos eu. Por isso decidi dar uma chance a Fuuka. E fiz questão de não ler nada de antemão - gosto de tirar minhas próprias conclusões, conforme vou conhecendo a obra. É um exercício de interpretação, admiração, uma maneira de me surpreender com a obra e captar suas minúcias.


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Confesso que, tratando-se de uma estreia, apertei o play já esperando um episódio que tentaria tudo para me impressionar, afinal, esse é o objetivo de qualquer novo anime - te prender à obra, para que você continue acompanhando a série até o final, compre o DVD ou Blu-Ray, consuma a light novel, corra atrás dos Actions Figures ou qualquer outra mercadoria licenciada que eles vomitem.

Pena que muita gente no Brasil ainda não tem acesso aos produtos promocionais que toda temporada explodem aqui no Japão... Deve ser por isso que muitos menosprezam a real força dos animes.



Mas, enfim, vamos à sinopse (com a menor quantidade de spoilers possível): Yuu, nosso típico protagonista meio banana e introspectivo muda-se com suas três irmãs (por isso muitos classificaram a obra como "echi" e "harém") do interior para a capital Tokyo, após seus pais aceitarem um emprego nos Estados Unidos. Tendo de lidar com a pressão de ser agora o único "homem da casa", como muitos japoneses do mundo real, o garoto de "inaka" (interior) se retrai ainda mais, limitando suas interações humanas ao seu círculo familiar e ao Twitter, atualmente a rede social mais utilizada por aqui (não, não é o facebook, ninguém liga praquilo no oriente).

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Logo após sua mudança, numa daquelas trombadas nada casuais que somente a falta de criatividade de um roteirista proporciona, uma linda adolescente de cabelos azuis curtinhos (qualquer semelhança com Rey de Evangelion não deve ser mera coincidência) praticamente cai no colo dele. Voa mochila prum lado, CDs pro outro, livros... Uma pataquada.

Ainda envergonhado, Yuu se levanta para conhecer Fuuka, a garota mais estressadinha da cidade. Graciosa, meiga, com aquela típica vozinha fina (e chata pra caramba, mas os japoneses, por alguma fantasia deturpada, parecem gostar), a jovem de fones de ouvido definitivamente foi culpada pelo encontrão, mas ainda assim acusa-o de estar tirando fotos de sua calcinha. E como esse protagonista é mais mosca morta do que o fracote do Shinji (por favor, não me xinguem, eu também amo Evangelion, mas critico as partes ruins), Fuuka quebra o celular de Yuu e ainda lhe dá uma bela bofetada na cara.

Ah, se fosse comigo... Essa Fuuka folgada jamais conseguiria fazer algo assim.

Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca levo desaforo pra casa. Os japas são diferentes. Na verdade, não sinto orgulho algum de afirmar que já presenciei cenas assim aqui no Japão. É bom deixar claro que o comportamento de Yuu, por mais patético que possa parecer a nós, ocidentais, é uma realidade incômoda por aqui. Os japoneses adolescentes são, via de regra, muito tímidos, tem auto-estima baixa, pouco contato com pessoas de fora de seu círculo familiar ou escolar e, por causa disso, muitas vezes não encontram forças para rechaçar o ijime (bullying).

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E muita gente se aproveita disso. É bem comum ver uma kōkōsei (adolescente colegial) de mini-saia fazendo escândalo em trens ou lojas, acusando alguém ao redor de tirar fotos de suas partes íntimas ou de estar tocando-a. Na maioria das vezes não é verdade, elas só fazem isso pra chamar atenção ou extorquir dinheiro, mas como o Japão é a terra dos tentáculos e o país com a maior quantidade de tarados por metro quadrado do Universo, muitos homens preferem pagar ou aguentar a humilhação do que seguirem discutindo e desmascarar uma jovem mentirosa.

Nada mais natural, portanto, que um caso dessa natureza esteja retratado em Fuuka, um slice of life com pé firme no mundo real. Sendo o protagonista de um anime de harém, Yuu não teve malícia alguma na cena, mas não posso criticar seu comportamento pois talvez, se eu também fosse nipônico, ficaria calado para evitar mais problemas.

Mas o fato é que eu não sou. E já comecei o anime com uma má impressão da protagonista.

Deve ter sido porque conheci algumas meninas colegiais bem mentirosas e abusadinhas por aqui, ou talvez porque não contente em criar uma situação assim, os roteiristas decidiram repetir a dose no mesmo episódio, fazendo ambos se encontrarem no telhado da escola. E lá se foi outro celular meio destruído voando pelos ares...

Devo confessar: aconteceu bastante coisa nesse primeiro episódio. Por um lado, não senti que estavam "apressando" a história ou nada disso, gostei bastante do ritmo dos acontecimentos, de como as irmãs do protagonista são introduzidas na historia... Gostei até das cenas ecchi fanservice, que não incomodaram. Conhecemos Koyuki, a famosa 'idol" adolescente que, adivinha! também é amiga de infância do protagonista pelos poderes do roteirista, vemos Yuu e Fuuka felizes no cinema "namorandinho" e ganhando pingentes de casal.

O Anime das Referências


Do início então: a grafia correta do título é Fūka, 風夏, onde o primeiro caractere significa 'vento', e o segundo 'verão'. Por isso o anime se passa no verão, uma "estranha época para se pedir transferência" para uma nova escola, segundo os padrões nipônicos.

O filme Half & Half é uma referência a outra obra, sobre um casal que morre junto e tem direito a mais sete dias de vida. Porém, eles precisam dividir suas vidas e são impossibilitados de sair um de perto do outro. (obrigado pela dica Mari)

Já que o anime se passa em Tokyo, a "Meca" de todo Otaku, a produtora caprichou nas referências. Uma clássica espera em frente à estátua de Hachiko, o cão que esperou por seu dono (que sofrera um infarto no trabalho) na frente da estação de Shibuya durante o resto de sua pobre vida canina, em meio à chuva, neve, frio e calor. Não satisfeitos, Yuu e Fuuka se desencontraram, para logo em seguida a garota mostrar que podia gritar mais alto e forte do que o Godzila, envergonhando novamente o pobre e oprimido jovem.

Ela é uma garota de personalidade, como a maioria das adolescentes japonesas jamais serão.

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

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