A Coreia do Norte Atacará o Japão?

Usar Banheiro de Konbini é Crime de Invasão - Verdade ou Mito?

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A internet nunca deixa de me surpreender quando o assunto é inventar mitos e bizarrices à respeito do Japão. E, acredite, o último foi criado justamente por um site de notícias brasileiro que atua no arquipélago.

Não vou citar nomes, mas existem vários "portais de notícia" que se dizem especializados em informar os brasileiros no Japão. Na verdade, o que esses blogs fazem é vender aparelhos de celular e atuar como Vitrine de anúncios para empreiteiras que contratam mão de obra estrangeira para atuar nas fábricas do arquipélago.

Como o foco dos caras não é informar, mas sim gerar números, de vez em quando algum boato ganha proporções maiores - e é aí que as maiores bizarrices aparecem.

E a mais recente tem a ver com as lojas de conveniência.


Também conhecidas por aqui como "konbini", essas lojas - e os banheiros que ficam lá dentro - viraram motivo de uma discussão inútil.

Não sei se foi erro de tradução, matéria "caça-clique" ou ignorância abissal, mas os caras traduziram uma reportagem do portal de notícias jurídicas Bengoshi News, alegando que um especialista dizia: "o uso não autorizado do banheiro pode conferir crime de invasão".

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Bom, vamos mais devagar. Sim, muitos costumes japoneses são estranhos a nossos olhos ocidentais, mais uma coisa é quase sempre certa: no Japão, o que não falta são banheiros. Nem todas as “konbini” possuem um mas, via de regra, sempre vai existir um toalete em boas condições de uso perto de você - ao menos nas cidades grandes.

Entretanto, as regras de uso variam de acordo com o local. Isso é o que a reportagem original diz.

Há estabelecimentos que permitem o uso livre, enquanto outros expõem uma placa que diz "contate um funcionário" quando quiser usar o banheiro. Em algumas lojas, há avisos de que não há um banheiro, o que significa que o toalete é de uso exclusivo dos funcionários. Em outras, o banheiro é dividido em cabines de uso geral e exclusivo.

Novamente segundo a reportagem, o advogado Shun Higashiyama, de Osaka, explicou que, se o uso do banheiro for contra o desejo da administração, o usuário estará cometendo crime de invasão. “Quem cuida dos banheiros é o gerente da loja. Se o usuário ignora a placa que pede para avisar um funcionário antes de usar, por exemplo, o ato é o mesmo que invadir um local proibido”, disse ele.

Não é bem assim.

Entrar em uma loja (qualquer uma, não apenas a konbini) apenas com o objetivo de usar o banheiro, pelo menos no Japão, não é considerado crime de invasão. Se, por acaso, na porta do banheiro existir alguma placa, convém ler o que está escrito ou perguntar a um funcionário. Geralmente as lojas que já passaram por algum problema anterior (clientes que decidiram usar o banheiro para outras coisas que não os números 1 e 2) estão atentas e evitam que duas ou mais pessoas entrem ao mesmo tempo.

Mas os japoneses seguem a filosofia do “Bom atendimento em primeiro lugar", portanto dificilmente haverá algum problema caso você precise se aliviar numa dessas lojas. Infelizmente, esse é mais um mito que alguém inventou.

De qualquer forma, sempre preste atenção nos avisos fixados na porta do banheiro, mas não se preocupe - ninguém jamais foi preso por fazer o número 2 num Seven Eleven...

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby