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Morar no Japão e Morrer de tanto trabalhar

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Se você mora no Japão, ou pelo menos já viu algum vídeo sobre o país dos tentáculos e das lolis (recomendamos esse canal aqui hahaha), deve saber que os japoneses são conhecidos mundialmente pela capacidade sobrenatural que têm de dormir em quase todos os lugares - inclusive de pé.

Viajar pelo Japão, aliás, é presenciar um festival de dorminhocos: nos trens, estações de metrô, parques públicos, dentro dos carros, em estacionamentos de lojas de conveniência...

Enfim, os caras dormem em quase qualquer lugar que consigam encostar.

E o motivo pra isso é meio óbvio. Trabalha-se demais no Japão. Existe até um termo em japonês, karoshi, "morrer de tanto trabalhar".


Relatos de profissionais japoneses fechando os olhos (para sempre) após jornadas de trabalho exaustivas e ininterruptas pipocam nos noticiários há décadas - tanto que já deixaram até de ser novidade.

O fenômeno não é lenda urbana, muito menos exagero. É um problema social, identificado desde 1987, quando o Ministério da Saúde nipônico começou a registrar os dados depois da morte repentina de vários salaryman.

Ao invés de combater a causa do problema, o governo decidiu fazer o que ele faz de melhor, ou seja, nada. Juntou estudos, recolheu estatísticas, colheu dados, e não resolveu a epidemia. O máximo que conseguiram fazer foi criar uma nova lei.

Segundo a legislação japonesa, se uma morte for relacionada ao karoshi, a família da vítima tem direito a receber uma indenização do governo de cerca de ¥2 milhões por ano (cerca de vinte mil dólares), além de uma indenização por parte da empresa, que pode chegar a um milhão e meio de dólares. Parece "causa ganha", mas para ter direito a entrar com um processo legal, a família da vítima precisa provar que a pessoa trabalhou mais de 100 horas extras no mês anterior à sua morte - ou 80 horas extras por dois meses ou mais nos seis meses anteriores ao falecimento.

O que praticamente nunca acontece.


As empresas japonesas são espertas. Quando a lei foi implantada, as autoridades notavam cerca de 200 casos por ano. Então as fábricas, escritórios e multinacionais "proibiram" que seus funcionários fizessem mais do que 80 horas extras por mês mas, em compensação, estabeleceram metas mais rígidas de produtividade e cotas mais altas de produção.

Resultado? Mais trabalho em menos tempo. Tanto que, em 2015, os pedidos de indenização por karoshi chegaram ao número recorde de 2.310, segundo o Ministério do Trabalho do Japão, mas praticamente nenhum desses pedidos foi aceito.

De acordo com o Conselho Nacional de Defesa para Vítimas de Karoshi, os números reais de mortes relacionadas ao excesso de trabalho esbarram nos 10 mil por ano - a mesma quantidade de pessoas mortas no trânsito hoje no arquipélago.

E muitos estrangeiros, literalmente, estão se matando de tanto trabalhar nas fábricas japonesas.

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby
Com informações da BBC