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A Síndrome de Tokyo

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Você já ouviu a expressão "Síndrome de Estocolmo"? É o nome de um estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, física e/ou verbal, passa a desenvolver simpatia - e até mesmo amor - pelo seu agressor.

Eu sei, parece estranho, uma contradição, mas acontece. A síndrome leva esse nome por causa de um episódio na Suécia, muito tempo atrás, quando vítimas de sequestro passaram a defender seus próprios agressores, ao invés de repudia-los.

Isso mesmo: durante o horror do cativeiro, tinha gente que desenvolvia sentimentos de afeto e apego por quem lhes tratava mal. Igualzinho àquele estrangeiro que idolatra os japoneses.


Pareço estar falando de alguém que você conhece? Alguém que sofre abusos dentro da fábrica onde trabalha, escuta gritos todos os dias dos chefes, é enganado pela empreiteira? Alguém que suporta o mau humor, os preconceitos e as reclamações dos vizinhos japoneses de boca fechada, que é discriminado em lojas e nas repartições públicas mas, ainda assim, por mais incrível que possa parecer, essa mesma pessoa ainda é capaz de defender os "nihonjin" o tempo todo?!

Parabéns então, você conhece alguém com a "Síndrome de Tokyo".

Assim como as vítimas suecas, encontramos também no Japão pessoas incapazes de notar tudo de estranho e injusto que acontece por essas bandas. Pessoas que não suportam críticas ao modo de vida japonês, aos costumes locais, ou mesmo às injustiças aqui praticadas.

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Quem sofre da Síndrome de Estocolmo não acredita numa saída, e pensa que o único jeito de "amenizar" os episódios de abuso ou tentar "negociar" algum tipo de acordo na relação vítima/agressor, é aceitar tudo de boca calada.

Da mesma forma, quem sofre do que eu chamo de Síndrome de Tokyo acaba seguindo piamente a cartilha de “seja grato ao Japão, não reclame”. São pessoas que, ao contrário de lutar por seus direitos, foram adestradas a aceitar qualquer esmola como presente, que sentem gratidão simplesmente por terem conseguido um visto de trabalho/residência no arquipélago ou, até mesmo, tem direitos constitucionais básicos violados.

Em contrapartida, essas mesmas pessoas disseminam o ódio contra quem reclama, xingam quem mostra o lado ruim do Japão e dos japoneses e são taxativos: o estrangeiro que não aceita o status quo é "folgado".

Sabe aquele tipo de pessoa que, pra qualquer reclamação, diz "Tá Reclamando do Japão? Volta pro Brasil!"?! Pois é. Não se irrite, pessoas assim estão, geralmente, doentes. Elas tem a Síndrome.

E qualquer discussão é inútil.

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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby