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MEDALHAS DE TOKYO 2020 SERÃO FABRICADAS DE LIXO ELETRÔNICO

Pocket Hobby - www.pockethobby.com - Medalhas de Lixo Tokyo 2020
Organizadores das Olimpíadas de Tóquio pretendem extrair o ouro, prata e bronze necessários para a confecção das medalhas das próximas Olimpíadas explorando as “minas urbanas” do país.

Aliás, não é incomum vermos os japoneses inventando novas formas de repensar o mundo. E, com o hype dos Jogos Olímpicos, eles planejam oferecer aos atletas dos próximos jogos medalhas fabricadas de resíduos tecnológicos, como restos de computadores e smartphones

Fruto de milhões de smartphones e outros aparelhos eletrônicos como notebooks, televisões e videogames jogados fora todos os anos no Japão, as "minas urbanas" são depósitos de resíduos eletrônicos que contém metais preciosos suficientes para produzir todas as medalhas dos Jogos Olímpicos de Tokyo.


Segundo representantes do governo e executivos de empresas que fazem parte do grupo que organizará as próximas olimpíadas, explorar o potencial de reciclagem desses materiais é uma questão-chave da organização.

Dentro da placa-mãe de um computador, smartphone e outros aparelhos existem pequenas quantidades de ouro (metal supercondutor), cobre e prata. E muitos desses verdadeiros tesouros acabam perdidos devido ao descarte incorreto.

Numa comparação, para o evento de 2012 em Londres, 9.6 kg de ouro, 1,210 kg de prata e 700 kg de cobre (componente primário do bronze) foram usados exclusivamente na produção das medalhas. Em contrapartida, a quantidade de metais precisos recuperados de aparelhos eletrônicos descartados no Japão no ano de 2014 incluíram 143 kg de ouro, 1,566 kg de prata e 1,112 toneladas de cobre.

Embora o Japão seja um território geograficamente "pobre" em recursos naturais, suas reservas de ouro e prata contidas em pequenos aparelhos eletrônicos descartados é equivalente a 16% e 22% do total das reservas mundiais, respectivamente – ultrapassando as reservas naturais de qualquer nação abundante nesses recursos.

Tradicionalmente, as cidades que abrigam as olimpíadas recebem os metais para produzir medalhas de doações de empresas de mineração. A ideia de usar eletrônicos reciclados para produzir as medalhas foi discutida em junho, durante uma reunião sobre “propostas de cooperação para a operação Tokyo 2020”.

Ou seja, tem muito metal precioso no meio do lixo.


Dentre os participantes da reunião estavam representantes do Comitê Olímpico, Ministério do Meio Ambiente e o Governo Metropolitano da capital japonesa, assim como executivos da NTT DoCoMo, a empresa de metais preciosos Tanaka Kinzoku Kogyo e empresas de reciclagem. O desafio agora é coletar todo esse ouro.

A agência de notícias Nikkei apurou que cerca de 650,000 toneladas de pequenos aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos são descartados no Japão todos os anos, alertando também que menos de 100,000 toneladas sejam recebidas "debaixo da Lei de Reciclagem de pequenos aparelhos" do Japão.

Esse processo de repensar a maneira como as coisas são feitas é interessante, principalmente para o Japão - que já é um dos lideres mundiais no quesito reciclagem de lixo - e estimula outras potências a perceberem a importância dos recursos naturais. Após Rio 2016 mandar seu recado para o mundo plantando árvores e falando sobre o aquecimento global, o Japão acaba dando continuidade sobre o tema para que o mundo consiga realmente entender a importância dessa conscientização.

Atualmente, grande parte do que é reciclado já está sendo reutilizado na fabricação de novos eletrônicos. A prata, em particular, enfrenta um aperto na oferta e procura, tornando sua obtenção em quantidade suficiente uma grande incerteza.


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Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby