A Coreia do Norte Atacará o Japão?

COSTUMES BRASILEIROS QUE OS JAPONESES ODEIAM

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Depois de algum tempo no Japão, confesso que incorporei alguns costumes japoneses no meu estilo de vida brasileiro. Aliás, se você já morou (ou mora) fora do Brasil, ou até mesmo conviveu durante algum tempo com estrangeiros em seu país natal, aposto que sua rotina também mudou em alguma coisa.

No meu caso, foi o costume de tirar os sapatos antes de entrar em casa. Não existe nada mais higiênico. Se eu não tivesse vindo morar no Japão, não teria percebido o quanto faz diferença essa simples mudança de ponto de vista.

Agora imagine todo o resto... A questão da comida, por exemplo: vivo explicando pros meus amigos que a primeira coisa que um brasileiro sente falta quando vai tentar a vida numa terra estrangeira é da comida de sua terra natal. Do arroz com feijão, sabe?


Chega a ser doloroso ter que se acostumar com novos hábitos alimentares, viver sem creme de leite ou requeijão catupiry. Se acostumar com café insosso ou arroz "unidos venceremos". Mas depois de algum tempo, até com isso você se acostuma. E começa a gostar.

Tanto que, quando vou ao Brasil de férias, a primeira coisa da qual sinto falta é da comida japonesa. Do missô. Do lámen. De harumaki, sushi e yakimeshi de verdade (não aquelas imitações baratas que tentam te empurrar nos restaurantes de shopping).

É curioso perceber todas essas pequenas diferenças e é ainda mais prazeroso quando encontramos certas semelhanças. Quantos turistas (por causa das Olimpíadas), não devem ter sentido isso nos brasileiros também? Visto de fora, o brasileiro é conhecido como um povo alegre, simpático e receptivo. E eu, particularmente, fico orgulhoso quando escuto isso. Quando, ao invés de criticarem, os estrangeiros veem nossa maneira espalhafatosa, brincalhona e gritona como algo bonito. Quando elogiam o fato de valorizarmos os sentimentos e as emoções alheias, ao invés de sermos pedras de gelo com expressões faciais a la "poker face".

Cantar, gritar, sorrir - isso é ser brasileiro.


Esse é nosso diferencial. Entretanto, existe uma linha tênue que não pode ser cruzada: diferenças não podem incômodos ou mal estar. Sabe o famoso "bom senso"? Pois é... Pensando nisso, nós do Pocket Hobby elaboramos essa pequena lista pra te ajudar a se policiar contra os exageros e poder conquistar seu merecido lugar entre os japas.


Primeira Lição: Não os chame de "japas"


A palavra - que muita gente desinformada acha inofensiva, mas definitivamente não é - tem origem na II Guerra Mundial, quando os americanos usavam a gíria "japs" para se referir aos orientais em geral (não apenas aos japoneses) de maneira depreciativa. Há registros do uso dessa expressão até bem depois da Guerra do Vietnã.

E, se você tem mais de dois neurônios, pode notar que a palavra brasileira tem pronúncia muito semelhante ao inglês. Portanto, não fale "japas" quando estiver no Japão, pensando que só porque está falando português eles não vão te entender - pelo contrário, eles entendem. E se irritam.

Daí não adianta ir pra redes sociais chorando e dando chilique que está sofrendo discriminação, racismo ou xenofobia. Pense se não foi você que provocou a situação.


Aliás, olhos puxados não fazem um japonês


Ser descendente de japoneses não é ser japonês nato. Aqui no Japão (e no Brasil também) existem aqueles sujeitinhos irritantes que "se sentem" japoneses e exigem ser tratados de maneira diferenciada ou "especial" por causa da origem dos seus antepassados.

Esse tipo de pessoa, na verdade, utiliza do argumento de "ser japonês" muitas vezes para fugir da discriminação que sofre no Brasil. É errado, mas é assim que acontece. Em terras tupiniquins, esse sujeito é o "japa", inferior aos outros brasileiros descendentes de europeus; mas, ao chegar no Japão, ele descobre que não é japonês coisa nenhuma, que ninguém o vê, respeita ou o aceita como um japonês. Ele é apenas mais um "gaijin" ou aquele "burajirujin" (brasileiro), sem sangue puro.

No Brasil, é o "japa". No Japão, é "gaijin"


Portanto, tenha orgulho de suas origens, mas com moderação para não sofrer preconceitos dos dois lados. E, por favor, não pense que você é especial ou melhor que ninguém só porque seu tatara-tatara-tatara-avô veio do Japão ou de qualquer outro canto do mundo. Isso não significa absolutamente nada.


A Questão da Pontualidade


Faz parte da educação não só dos japoneses, mas da maioria dos povos do Norte (Europa, Canadá e EUA) o respeito ao tempo - dos outros.

Os orientais, por exemplo, tem o costume de chegar 5, 10 e até 15 minutos antes de qualquer compromisso. Incluindo chegar antes do horário no trabalho, o que pra gente parece estranho, mas eles são assim.

Chegar atrasado é tão ruim quanto deixar cocô do seu cachorro no meio da rua. Não "cague" sua reputação.


Evite Desculpas Esfarrapadas


Sejamos francos: ninguém gosta de gente assim. Pior do que errar, é ficar inventando desculpas por causa disso. E brasileiros são especialistas em inventar desculpas esfarrapadas.

Na verdade, as pessoas erram e não existe nenhum problema nisso. O problema surge quando você não assume o erro e tenta jogar a sujeira para baixo do tapete. Assuma o erro, peça desculpas, e diga como você pode fazer melhor na próxima.

Acontece também de as vezes você não ter a culpa diretamente. Foi o fulano da sua equipe que fez besteira. Foi culpa do sicrano que não entregou a tempo. Foi o beltrano que provocou. Enfim, a culpa sempre é do outro, e não sua?! ISSO é desculpa esfarrapada.


Mantenha suas Conversas ao Telefone Longe dos Outros!


Não existe maior falta de educação que atender o telefone dentro de transporte público no Japão. E não é porque você viu aquela japonesa espalhafatosa conversando com as amigas no iPhone que tudo bem imitar o comportamento dela, pelo contrário: também existem muitos japoneses sem educação. Não seja um estrangeiro mal educado você também.

É de péssima educação falar ao telefone dentro de trens, ônibus, espaços restritos como consultórios médicos, salas de espera em aeroportos, etc. Como em todo lugar fechado, o barulho da conversa sempre vai incomodar as outras pessoas. É o pensamento deles.

Mas, no final das contas, quem hoje em dia, fala no telefone?! Utilize mensagens, e se realmente for urgente, abaixe-se no banco, coloque a mão na boca ao falar, abafe sua voz e explique que não pode falar. Pelo menos assim você demonstra pra outras pessoas que está consciente das normas. E o interlocutor do outro lado certamente vai entender (se também tiver um mínimo de educação).

Ah, já ia esquecendo: fones de ouvido com volume muito altos também incomodam. O japonês tem até uma palavra específica para isso: Otomore (音漏れ) para quando o som escapa dos fones.


Aliás, Não Faça Barulho!


Você já deve ter ouvido a palavra "urusai": ela significa algo ruidoso, barulhento, mas é muito usada como expressão "cale a boca".

E nisso os estrangeiros no Japão acabam sempre se descuidando. Faz parte da nossa natureza latino-americana, do nosso sangue latino miscigenado. É difícil evitar. Falar alto, para nós, é algo normal. Nas horas em que as emoções estão exacerbadas então... Só que os japoneses costumam falar baixo em lugares públicos.

Cuidado para não levar um "urusai" de alguém.


Não que eles sejam silenciosos (pelo contrário, existem japoneses de pouca educação que fazem mais barulho do que os latinos), mas tudo depende das pessoas ao redor e, principalmente, do lugar. Pelo menos em areas residenciais, evite discussões acaloradas e barulho excessivo tanto à noite quanto de dia.


Festas Descontroladas em Casa


Falando de barulho, os japoneses não são considerados um povo lá muuuito festeiro. Quando muito, compram umas bebidas e tomam em casa, na frente da TV (aliás, eles bebem muito).

Portanto, quando for reunir os amigos em sua casa, use o bom senso. Os apartamentos no Japão costumam ter péssimo isolamento acústico pois as paredes geralmente são feitas de uma madeira bem frágil, e não é raro encontrarmos aquele material prensado que se você quiser, consegue arrombar com socos. Não precisa nem ser um Rocky Balboa para atravessar paredes no Japão, o volume das conversas nem precisa ser tão alto quanto o que você imagina para incomodar os demais.


Sobre Churrascos...


Como nem sempre reunir os parentes e amigos em casa é uma boa ideia no Japão, muitos brasileiros recorrem às áreas de camping e barbecue. Aliás, quem não goste que atire o primeiro pedaço de picanha. Na minha direção, de preferência. Nosso churrasco é incomparável e tenho certeza que será uma boa jogada você organizar um "churras" para seus amigos japoneses. Isso definitivamente servirá para "quebrar o gelo" e aprofundar os laços de amizade.

Contudo, não esqueça de jogar o lixo nos locais apropriados e cuidado com o volume da música - porque churras que é churras de verdade tem que ter música. E cerveja.


As Terríveis Regras do Lixo


Falando em festas, saiba que o Japão é um dos países que mais pratica reciclagem no mundo e que, por aqui, os dejetos são realmente separados desde o descarte até os locais de reaproveitamento.

A paranoia é tanta que também existem calendários mostrando os dias certos para a coleta de cada tipo de lixo, que mudam de cidade para cidade e de tempos em tempos. E, convenhamos, para quem mora no Japão isso é um pé no saco. Não me entenda mal, eu sou totalmente a favor de reciclagem, separação e reaproveitamento. Só acredito que, em Terras Nipônicas, os caras "perderam a mão" e (como em todo o resto) exageraram na dose.

Eu, por exemplo, moro no Japão a quatro anos. São quatro anos pagando impostos caros, quatro anos vendo uma fatia considerável do meu salário destinada a diferentes níveis do governo municipal, provincial e federal para, no final das contas, não ter sequer uma coleta de lixo decente na minha rua.

Paga-se 3 vezes: em impostos, em sacos de lixo "conforme as regras da prefeitura" e por dejetos grandes demais.


E quando eu digo caro, significa caro mesmo pros padrões japoneses. No meu caso atual, ¥500 (R$15 Temers) por 10 sacolinhas. E o pior não é ter que pagar para jogar o lixo, é pagar caro pra receber em troca um serviço porco, insuficiente e ineficaz, que mais complica do que ajuda. Por exemplo, o "moeru gomi" (lixo orgânico, queimável), só é recolhido na minha vizinhança uma vez por semana. UMA VEZ. Isso significa armazenar constantemente lixo dentro de casa, num verão de mais de 40 graus.

No caso de lixos que são considerados "sodai gomi", grandes demais, móveis velhos, equipamentos eletrônicos ou que contém metais pesados, para descartá-los, você precisa pagar. Outra vez.

Como se não fosse suficiente, após minha mudança (saiba mais aqui), descobri que na Província onde moro atualmente não existem unidades recicladoras - lugares onde se descartam jornais velhos, garrafas PET e papelão. Ou seja, tenho que armazenar toda essa quantidade de lixo dentro de casa pois a coleta desses materiais só ocorre uma vez por mês.

E nem pense em "dar um jeitinho" e jogar as coisas em qualquer lugar: as multas são pesadíssimas.
A questão do lixo no Japão virou um caça-níquel de impostos, taxas e pagamentos. E isso é um saco.

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