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Com Poucos Hotéis, Japão Impõe Regras Contra o Airbnb

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Com Poucos Hotéis, Japão Impõe Regras Contra o Airbnb


Recentemente, o Japão bateu recorde de turistas estrangeiros, mas quem mora aqui como eu sabe que conseguir um hotel por aqui, principalmente em Tokyo, é quase uma tortura.

Estudos recentes apontam que a oferta de acomodações no arquipélago não supre a necessidade da demanda. Isso, lógico, tem um motivo: o lobby dos donos de hotéis, que estão sorrindo à toa, inflacionando os preços das diárias e ganhando rios de dinheiro num país onde espaço é questão de luxo.

Para completar, estão em vigor leis ainda mais restritivas com relação ao aluguel de imóveis particulares para fins turísticos.


Foi a maneira que o governo encontrou para proteger os empresários do setor e "se blindar" contra o site de acomodações Airbnb, um negócio que gerou no ano passado mais de 213 bilhões de ienes (R$ 7 bilhões) no mundo.

Para proteger a indústria hoteleira, os parlamentares japoneses aprovaram uma lei restringindo o aluguel temporário de imóveis particulares, com a desculpa de "resguardar os moradores dos imóveis vizinhos perante o alvoroço gerado pelo Airbnb". Esta legislação obriga os anfitriões do site a alugar suas casas durante um período mínimo de pelo menos uma semana, e a lei em alguns municípios é tão invasiva que acrescenta que vizinhos e os bombeiros devem ser notificados sobre a estadia dos inquilinos - e que os dados pessoais dos hóspedes devem ser guardados por três anos posteriores à visita.

Menos Liberdade, Mais Corporativismo


O impulso do setor turístico era muito desejado pelo governo de Tóquio, que, no entanto, convive desde sempre com uma oferta insuficiente de quartos. "A indústria hoteleira não tem capacidade para acomodar os milhares de turistas que visitam as grandes cidades como Tóquio e Osaka. Algo novo como o Airbnb é realmente necessário aqui", explicou à Agência Efe Koji Tsurumoto.

Para o especialista, o portal de aluguel de imóveis não está prejudicando os hotéis. "O turismo está crescendo a tal ritmo que há mercado para todos", comentou. No entanto, como sempre, o Airbnb está enfrentando o ceticismo de muitos japoneses em relação a questões mais culturais do que econômicas. Assim como aconteceu no Brasil com a briga Uber vs Taxistas, virou rotina encontrar na imprensa local histórias sobre os pseudo-problemas gerados por pessoas que estão de passagem nos imóveis, por exemplo por seu desconhecimento do complexo sistema de coleta de lixo japonês ou as leis de silêncio das vizinhanças por todo o país.

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No final das contas, não importam os números do Airbnb, os quase 600 mil turistas que pernoitaram por aqui até agora ou o dinheiro que certos imóveis, antes desocupados e abandonados, estão gerando. O mercado japonês continua como sempre foi: avesso a tudo que vem de fora.

Mesmo que vários viajantes recorram ao aplicativo para poderem desfrutar de seu próprio apartamento em Osaka, ou ter a experiência de estar numa típica casa oriental, com todos os pequenos detalhes de um lar típico japonês, se não está gerando dinheiro para as grandes companhias, certamente o governo atual fará de tudo para impedir o funcionamento do aplicativo no arquipélago...


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JAPÃO, 13 DE MAIO DE 2016
Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby
Com informações de Exame

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