Os Quatro Tipos de Otaku

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Os Quatro Tipos de Otaku


O Brasil, desde os anos 90, abraçou de peito aberto as influências da Cultura Pop japonesa, formando, inclusive, uma das comunidades otaku mais influentes do mundo.

Por mais que sejamos bombardeados por filmes da Marvel e seriados enlatados dos EUA, é fácil encontrar verdadeiros "fãs de carteirinha" de Naruto, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e outros títulos icônicos do Universo Otaku em terras brasileiras - mas são poucos que realmente entendem a Cultura Japonesa.

Por conta disso, alguns blogs e produtores de conteúdo em português acabam transmitindo uma visão irreal do Japão, como se todos por aqui vestissem roupas de empregadinhas dos "Maid Cafés" ou, pior ainda, como se os japoneses fossem todos malucos antissociais viciados em tentáculos e garotinhas colegiais peitudas.


Bem... Alguns até, de fato, o são, mas isso não vem ao caso agora.

Na verdade, a Cultura Pop dentro e fora do Japão está sempre em evolução - justamente por isso, hoje em dia apenas a palavra "otaku" (que se refere aos fãs de cultura japonesa em geral) é, no mínimo, um estereótipo deturpado da realidade. O termo é pouco para definir os  diferentes amantes da cultura japonesa.

Baseando-nos nas teorias do analista de marketing Yohei Harada, autor do livro Shin Otaku Keizai (A Nova Economia Otaku), nós do Pocket Hobby decidimos nos embrenhar nos quatro diferentes tipos de Otakus atuais. Acompanhe o raciocínio:



Otaku "de raiz"


Talvez o único grupo ameaçado de extinção, segundo o pensamento de Harada. O otaku de raiz corresponde ao estereótipo clássico: jovens cuja paixão pela Cultura Pop extravasa quaisquer limites, levando-o ao isolamento, comportamento antissocial e, não raro, à depressão.

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Atualmente, são cada vez mais raros esses tipos de otaku dentro do Japão - pois a pressão social em cima deles tem aumentado por conta da crise econômica. Harada também afirma que muitos já atingiram a idade adulta e que, por isso, muitos otakus de raiz hoje evoluíram para um dos três tipos remanescentes.



Otaku "na moita"


Este fã de cultura japonesa parece muito ao marido que mantém uma amante, pois vive uma vida dupla, dividindo seu tempo e atenção entre as atividades normais do dia-a-dia (casa, família, filhos, amigos, namorada) e seus action figures, mangas e animes.

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É muito difícil identificar um otaku na moita, pois eles costumam manter sua paixão por cultura japonesa como um aspecto oculto de sua personalidade.

Não espere confabular com ele sobre o último episódio de Aldnoah Zero (um ótimo anime sobre o qual já discutimos aqui) ou pedir emprestada sua coleção de mangas de Yu Yu Hakusho: ele é um fã em estado de negação.


Otaku espalhafatoso


Você conhece o conceito de personalização de carros japoneses chamado Itasha? Se não, recomendo a leitura desse artigo antes de prosseguirmos, pois existe uma semelhança incrível entre o otaku espalhafatoso e os possantes ultratunados.

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A própria palavra usada para designá-los em japonês, itaota, vem do termo Itai, que significa literalmente "dor"; e nada mais doloroso do que ver alguém de cabelo colorido, cheio de broches, camisetas e outros apetrechos relacionados a personagens de anime, segundo Harada.
*Nota do Editor: esta opinião não reflete, de maneira alguma, a opinião do Pocket Hobby. Nos limitamos apenas a expor o raciocínio de Yohei Harada, exposto no livro Shin Otaku Keizai (A Nova Economia Otaku). Mas o termo cabe muito bem a alguns nerds que conheço...


Otaku pé no chão


Talvez o mais sociável de todos os otaku, o "pé no chão" prefere passar seu tempo livre interagindo com outras pessoas a mergulhar nos roteiros fantásticos de animes ou concentrar-se em discussões sobre mangas.

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Este sujeito, apesar de tudo, encontrou o meio-termo entre a vida real e as histórias de ficção que, no Japão, podem ser facilmente encontradas em Internet Cafes, lojas de produtos usados e livrarias. Mesmo que dedique algum tempo a seus hobbies, o tipo pé no chão diferencia perfeitamente realidade e ficção.



É, meus amigos... Exagero tem limite. Não se torne um fã radical de nada.

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JAPÃO, 21 DE ABRIL DE 2016
Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

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