Cotista Branco do Itamaraty

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Branco, mas autodeclarado Negro em Concurso do Itamaraty


Em 2013, esse cara aí do lado, Mathias Abramovic - médico do Rio de Janeiro, de pele branca e olhos verdes - causou polêmica ao se declarar negro e ser aprovado em duas fases num concurso para diplomatas. Algumas etapas depois, felizmente, ele foi reprovado.

Não seria esta uma história diferente de tantas outras caso Abramovic, em julho de 2015, não tentasse novamente valer-se de uma autodeclaração para tentar ingressar na carreira diplomática através de uma vaga reservada a candidatos negros.

Ele afirma que, por possuir uma bisavó paterna negra e avós pardos, é afrodescendente e, portanto, tem direito à cota racial.


Mas não pense que o cara foi o único a ter tal ideia: a Procuradoria Geral da República no Distrito Federal, após mais DEZ denúncias de que pessoas brancas estariam se "inspirando" no caso para cortar caminho rumo à carreira diplomática, tenta mover uma ação civil pública para suspender os concursos.

Os pontos alcançados por Abramovic no concurso no último pleito ficaram abaixo da nota de corte, contudo ao declarar-se negro, ele passou para a próxima etapa do certame.

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Atualmente, 20% das vagas em concursos públicos são reservadas a candidatos autodeclarados negros ou pardos - o que aumenta, em casos de concursos muito visados, a relação candidato/vaga entre as cadeiras de ampla concorrência.

Debochando dos Órgãos Públicos


"Quando candidatos brancos de dizem negros, trata-se de um deboche sobre a total falta de controle dos órgãos públicos", declarou à mídia o porta-voz da ONG Educafro, que averigua casos semelhantes.

Não é à toa que Abramovic faz de tudo para trabalhar pro Itamaraty - ele provavelmente está de olho nos benefícios inerentes ao cargo. Já discutimos o tema anteriormente, após denúncias de fraudes e desmandos em Embaixadas e Consulados do Brasil no exterior.

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Entre os "mimos" de se trabalhar como representante diplomático do Brasil no exterior estão incluídos:

- Imunidade Diplomática: Como o nome já diz, os representantes do Brasil no exterior não podem ser presos, autuados ou processados, estando, literalmente, acima da lei em territórios estrangeiros.

- Salários Estratosféricos: um diplomata, em início de carreira, ganha quase R$14 mil reais por mês, enquanto os mais "velhos de casa" chegam a receber até quatro vezes este valor.

- Moradia de luxo por conta dos cofres públicos: em Nova York, por exemplo, o cônsul brasileiro vive num apartamento que custa a bagatela de R$54 MIL reais por mês aos contribuintes no Brasil.

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- Festas de Gala: a celebração do último 7 de Setembro na Embaixada Brasileira da Hungria, por exemplo, custou R$20 mil reais e não teve absolutamente nenhum propósito diplomático - foi feita apenas para a diversão dos funcionários, embaixadores e diplomatas, com champagne francês, frutos do mar e iguarias.

- Acesso a contas em Paraísos Fiscais: a Embaixada Tupiniquim na Venezuela, por exemplo, mantém contas secretas nas Ilhas Cayman. Não se sabe com exatidão a origem ou sequer o destino do dinheiro público ali depositado. Inclusive, as contas só foram descobertas porque um ex-funcionário, desconfiado do procedimento, decidiu ir a público.

- Sem impostos na hora da volta pra casa: Mesmo depois de usufruir de tanta mamata, os membros de serviços diplomáticos ainda são os únicos brasileiros que podem residir no exterior e trazer ao país carros particulares, comprados lá fora, sem pagar impostos de importação. Eles também não tem que respeitar a cota de U$500 dólares em compras no exterior e carregam em sua bagagem qualquer item, de qualquer valor. Pessoas com passaportes diplomáticos (como a família do ex-presidente Lula) e seus pertences não podem ser barrados para verificação em aduanas ou aeroportos.

E Abramovic fará de tudo para ser mais um desses funcionários do Itamaraty.

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JAPÃO, 01 DE MARÇO DE 2016
Texto: Renato Brandão     Edição: Pocket Hobby

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