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O Japão Precisa de mais Imigrantes

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O Japão Precisa de mais Imigrantes!


Recentemente, Taro Kono, ministro da Reforma Administrativa, veio a público afirmando que o Japão precisa "elaborar uma política de imigração integrada para lidar com a diminuição da população".

É engraçado, ou pelo menos irônico, tentar entender as declarações do ministro, que se mostrou preocupado em "perder a concorrência para China".

Com uma população nativa envelhecendo a ritmo acelerado, o Japão enfrenta dificuldades em atrair mão-de-obra estrangeira, pois o primeiro-ministro Shinzo Abe mantêm como prioridade o aumento da natalidade entre japoneses (que chegou a níveis mínimos) e força a entrada de mulheres e idosos no mercado de trabalho em vez de estimular a imigração.


É uma discussão antiga: desde antes da chegada dos portugueses, em 1543, o Japão sempre foi relutante quanto aos estrangeiros em seu território. É comum, em pleno séc. XXI, que imigrantes sejam barrados em estabelecimentos "Reservados a Japoneses", tenham dificuldade em conseguir vistos de residência, financiamentos para casas e carros.

Neste cenário de xenofobia escancarada, fica difícil imaginar como o governo pretende atrair mais mão-de-obra estrangeira...

Juris Sanguinis


O pior de tudo, na opinião de quem já vive aqui, é a inexistência do juris solis: segundo as leis locais, só é considerado japonês o cidadão nascido de pai ou mãe japoneses, portanto não importa se você nasceu no país, não terá direito à nacionalidade nipônica caso seja filho de imigrantes não naturalizados.

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E é muito difícil (senão impossível) a obtenção da cidadania japonesa: além de um processo desgastante, que chega a durar vários anos, cada pedido é analisado separadamente, caso a caso, exigindo milhares de documentos diferentes conforme o candidato, visita de inspetores, entrevistas e conhecimentos aprofundados de língua e cultura. O governo autoriza pouquíssimos pedidos de naturalização anualmente, e a maioria dos pedidos concedidos é de outros orientais (chineses e coreanos). Também não é nada fácil conseguir sequer o visto de residência permanente: pode levar meses, exige uma tonelada de documentos e mesmo uma simples multa de trânsito impossibilita sua concessão.

E Como Ficam os Estrangeiros?


Enquanto os políticos discutem qual solução é melhor para seus interesses, estatísticas preveem que a população nacional diminua abaixo dos 100 milhões de habitantes em 2048, até cerca de 87 milhões em 2060, quando 40% das pessoas terão mais de 65 anos de idade.

"Precisamos agir agora para melhorar o mercado de trabalho", afirmou Taro Kono, nomeado em outubro, na entrevista à Reuters. "Falam sobre aumentar a participação das mulheres e dos idosos no mercado de trabalho... Claro que precisamos dos dois, e mesmo assim não será suficiente", acrescentou.

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Crítico antigo de algumas políticas governamentais, Kono deixou claro que "barreiras psicológicas" à imigração atravancam o público japonês, arrastando por mais tempo o debate político.

Nesse meio tempo, crescem as denúncias de trabalhadores oriundos de outros países asiáticos que chegaram ao Japão sob a tutela do programa de Trainee do governo Abe. Normalmente alocados em setores agrícolas, na construção civil, enfermagem (em asilos ou casas de idosos) e ajuda doméstica, muitos criticam a falta de transparência na política de imigração e as condições - muitas vezes de semi-escravidão - a que são submetidos.

Parece que a melhoria da qualidade de vida e os interesses dos estrangeiros são a última coisa que importa nesse momento...


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JAPÃO, 15 DE DEZEMBRO DE 2015
Texto: Renato Brandão     Edição: Pocket Hobby

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