A Farra da Corrupção nas Embaixadas Brasileiras

Pocket Hobby - www.pockethobby.com - Hobby News - Farra nas Embaixadas Brasileiras 1

A Farra nas Embaixadas Brasileiras


Não é de hoje que o povo brasileiro se vê às voltas com serviços públicos onerosos, casos de abusos, desvios de verbas e, principalmente, servidores públicos que fazem tudo, menos servir ao público.

Os problemas não são exclusividade da terra brasilis, e afetam também as representações diplomáticas brasileiras no exterior.

Com regalias dignas de famílias reais ou bilionários árabes, muitos embaixadores, diplomatas e outros funcionários de menor escalão vivem no exterior às custas da "diplomacia" brasileira sem, contudo, servir ao propósito de seus trabalhos.


Embaixadas e Consulados deveriam ser o "porto seguro" de cidadãos em território estrangeiro, formar alianças comerciais importantes e fortalecer nossa democracia, mas quando se trata do Brasil, em lugar de orientação e apoio, os brasileiros no exterior enfrentam horários de atendimento apertados (como constatado em várias Embaixadas, inclusive na de Ottawa, Canadá), desinformação e total descaso com o dinheiro público.

Leia também: Imigração Deportará Residentes Permanentes do Japão

Claro que existem excessões à regra, contudo uma pesquisa realizada pela nossa equipe constatou, somente este ano, denúncias relacionadas a Embaixadas ou Consulados brasileiros no Canadá, Estados Unidos (Miami e Nova York) e Haiti, além do uso de brechas nas leis trabalhistas do Japão por parte de Consulados que prejudicam os trabalhadores contratados no país. Claro que, se até o ex-presidente Lula conseguiu ilegalmente passaportes diplomáticos para toda sua família, não poderíamos esperar seriedade nos casos a seguir. Confira:

As Denúncias contra Embaixadas e Consulados Brasileiros no Exterior

Pocket Hobby - www.pockethobby.com - Corrupção na Embaixada Brasileira de Ottawa.
Recentemente, o horário de funcionamento do Consulado Brasileiro em Ottawa, no Canadá, foi alvo de reclamações por parte dos internautas, que questionam também os altos salários e benefícios recebidos por parte de Diplomatas, servidores e funcionários - lembre-se de que são praticamente os mesmos horários apertados e as mesmas condições capengas de atendimento aplicadas no Japão e outras em embaixadas mundo afora.

Infelizmente, apesar de vários e-mails enviados ao Consulado, a equipe do Pocket Hobby não recebeu esclarecimento ou justificativa sobre o reduzido horário de atendimento nos locais.

Leia também: Japão Endurece Leis de Refugiados

Na Embaixada do Haiti, o antropólogo Omar Thomaz disse ter recebido este ano informações de imigrantes haitianos que estão atualmente no Brasil cujas famílias foram impedidas de solicitar o visto para o país.

Atualmente, o governo limita a cem pessoas por mês o número máximo de vistos de entrada no Brasil, mas a alegação é de que funcionários da Embaixada em Porto Príncipe estão exigindo propina para agilizar a tramitação dos papéis. Novamente, apesar de várias tentativas de contato, não recebemos nenhuma resposta por parte do Itamaraty.

- A Embaixada do Brasil em Caracas, na Venezuela, mantém uma conta de banco secreta num paraíso fiscal, mais especificamente nas Ilhas Cayman. O caso foi denunciado pelo diplomata Renato de Ávila Viana (nossos parabéns a ele pela coragem em denunciar o esquema).

Leia também: Mania Hoarding?

Renato descobriu o esquema, que envolve uma engenharia de pagamentos complexa, passando pelo Instituto Cultural Brasil-Venezuela, mantido pelo governo tupiniquim e que tem, em seu quadro de funcionários, cerca de 30 professores, além de funcionários de diretoria, até chegar a contratos cotados em dólar.

"A Sede do Instituto é alugada, e o pagamento é feito em dólares, com fundos oriundos nas Ilhas Cayman, mas o contrato é firmado em bolívares(...) Trata-se de contrato fraudulento", afirmou o diplomata. Leia o documento original.

Leia também: Desembarque Complicado

- Nos Estados Unidos, duas denúncias eclodiram: primeiro em Miami (que também atende ao público em horário bastante reduzido, das 10 da manhã às 2 da tarde), onde cidadãos brasileiros reclamam de longas filas e de que, na falta de algum documento ou processo, são encaminhados para à "sala 22", no mesmo prédio, onde funciona um escritório particular de nome G3 Visas & Passports.

Outro notários públicos e advogados, como Jamil Hellu, que realizam atividades semelhantes à deste escritório, dizem que o Consulado rechaça documentos oriundos de outros lugares senão o escritório G3.

Diariamente, segundo denúncias apuradas pela mídia brasileira que atua nos EUA, centenas de brasileiros e estrangeiros tiveram acesso a serviços como legalizações de certidões, sentenças judiciais e procurações públicas negadas somente porque não procuraram os serviços da empresa "preferida" do Consulado.

Leia também: Queime seu Passaporte Americano!

 - Ainda nos EUA, em Nova York, um golpe desviou mais de US$ 1 milhão em recursos. Três funcionários (terceirizados, obviamente) foram demitidos durante as investigações.

O esquema funcionava assim: aproveitando-se de uma brecha na taxa de reciprocidade (cobrada para igualar os valores pagos por brasileiros que solicitam o visto americano), funcionários chegaram a embolsar cerca de 1.800 dólares por dia. Além disso, estrangeiros denunciaram a cobrança de propinas para "agilizar" a emissão de Vistos para o Brasil.

- A mais recente farra nas Embaixadas brasileiras (que inspirou este artigo) aconteceu em Budapeste, na Hungria, quando uma festa em comemoração ao 7 de setembro torrou recursos públicos no montante de R$ 20 mil. O valor serviu para pagar comidas, bebidas, garçons e a decoração da festa que, estranhamente, não teve nenhum propósito diplomático senão alimentar o ego dos servidores da Embaixada.

Novamente, apesar de várias tentativas de contato, o Pocket Hobby não recebeu qualquer resposta ou esclarecimento do Itamaraty.

No Japão


Pocket Hobby - www.pockethobby.com - Emprego na Embaixada Brasileira de Tokyo 1
Exemplo da opinião dos brasileiros
Recentemente, a Embaixada do Brasil em Tokyo abriu edital para a contratação de auxiliar administrativo, com salário de cerca de ¥360 mil (cerca de R$11.500,00).

Parece um bom salário? Pois saiba que, apesar da aparente alta remuneração, a Embaixada foi duramente criticada nas redes sociais por querer se aproveitar de já conhecidas "brechas" na fraquíssima legislação trabalhista japonesa para não pagar direitos devidos aos trabalhadores - e que qualquer funcionário japonês, em função equivalente, receberia.

Os requisitos para o tal cargo exigem conhecimentos altíssimos de japonês e português (fluência nativa de ambas), além do pleno domínio do inglês, residência fixa no Japão e permissão para exercer atividade remunerada (não, a Embaixada não outorga vistos de trabalho). Contudo, não são pagos benefícios como auxílio-moradia (sendo Tokyo uma das cidades com custo de vida mais alto do mundo), vale-transporte (num país onde o preço do transporte público é elevado), os bônus anuais (que recebem os japoneses "seishain") ou qualquer outro tipo de ajuda que embaixadores, cônsules e outros apadrinhados do governo verde-amarelo recebem.

Pocket Hobby - www.pockethobby.com - Emprego na Embaixada Brasileira de Tokyo  3
Opiniões fundadas ou exageradas?
Além disso, o contrato de trabalho é feito à luz da lei japonesa de arubaito (trabalho temporário), o que significa que tais funcionários, apesar de trabalhar para o governo brasileiro, não possuem vínculos empregatícios com tal.

A questão, aqui, não é o valor do salário, mas as brechas legais que os órgãos oficiais encontram para não garantir direitos trabalhistas a seus funcionários.

E qual a sua opinião? Você vive no Brasil ou no exterior? Já se deparou com alguma situação semelhante às relatadas? Gostaríamos de saber, portanto deixe seus comentários!



Quer se manter realmente informado? Clique!
Facebook - Twitter - Instagram

JAPÃO, 12 DE NOVEMBRO DE 2015
Texto: Renato Brandão     Edição: Pocket Hobby
Com informações da mídia brasileira e investigações próprias
A veracidade das informações é de inteira responsabilidade das fontes citadas

Comentários