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Destruindo Direitos Trabalhistas

A História dos brasileiros no Japão geralmente converge num ponto: o primeiro emprego da maioria, geralmente em fábrica, foi conseguido através dos famigerados contratistas.

Muitos brasileiros chegaram ao arquipélago devendo até o dinheiro das passagens para as firmas: um caminho sem volta que envolve abusos, humilhação e direitos trabalhistas ignorados.

Vivemos, hoje no Japão, o caos da terceirização de mão-de-obra que será implantado no Brasil através do PL 4330, lei que, em poucas palavras, permite à qualquer empresa contratar indiscriminadamente funcionários terceirizados. Adeus empregos diretos, concursos públicos e, principalmente, estabilidade empregatícia.

As desvantagens de iniciativas assim são vivenciadas por milhares de brasileiros no Japão, portanto citaremos apenas as mais graves:

Direitos trabalhistas ignorados

Apesar da igualdade de salário e condições de trabalho estar na letra da lei japonesa, dentro de uma mesma fábrica ou empresa existem salários diferentes para o mesmo tipo de trabalho, dependendo do contratista (atravessador) que oferece a vaga. Não apenas os estrangeiros, mas também os japoneses sofrem com essa discriminação.

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Outro ponto: diferente do Brasil, aqui no Japão não existe o 13º salário; entretanto, quase todos os japoneses recebem dois bônus por ano, em junho e dezembro, com o equivalente ao valor de dois ou três meses de pagamento.

Em meus três anos de Japão, jamais encontrei um estrangeiro, contratado através de contratista, que ganhasse um iene sequer de bônus. No passado até existiam, mas atualmente...

Total irresponsabilidade das empresas

Seu salário atrasou?
Horas extras não foram pagas?
Negaram a você um dia de folga?
"O problema não é nosso, fale com seu contratista", repetem as empresas, que se isentam de problemas e encargos desta maneira.

Enriquecimento de poucos

Apenas a título de exemplo, citaremos o caso do tradutor em português/japonês M*, contratado por uma grande fábrica automobilística multinacional. O intermediário (contratista dono da empresa de terceirização) recebia da montadora ¥5.000 por cada hora trabalhada deste funcionário, entretanto o salário atual dele está em cerca de ¥1.500 por hora. Para ele, um salário alto, que poderia até ser maior, não estivesse o contratista ganhando mais que o dobro que ele. Desconte-se o imposto sobre salário, seguro-saúde e outros encargos sugados na fonte.

Preciso continuar explicando porque a terceirização (no Japão ou no Brasil) é uma m#r$@?

Obviamente que toda generalização é burra, portanto há exceções, empresários honestos que seguem a lei e dão condições dignas a seus trabalhadores.

Porém, se você vive no Brasil, pense duas vezes: a terceirização de mão-de-obra muitas vezes gera discriminação e custa a dignidade de quem sustenta o sucesso de muitas companhias - veja o exemplo do Japão e não o siga.

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JAPÃO, 01 DE JULHO DE 2015
Texto: Renato Brandão     Edição: Pocket Hobby

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