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O escândalo que demorou para acontecer

FIFAGATE


08 de junho de 2015
Revisão: Renato Brandão     
Edição: Pocket Hobby

Dia 27 de maio passado começou o ritual para a escolha do presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Association - redundante, né?!), e para surpresa de dirigentes e executivos, o mundo inteiro acompanhou uma ação cinematográfica onde policiais da Interpol e FBI aproveitaram toda a cúpula presente e prenderam vários lideres de confederações e ligas nacionais. Dentre eles (antes tarde do que nunca) o presidente da CBF Jose Maria Marin. Logo ele, que numa comemoração de uma taca São Paulo de Juniores "esqueceu" de entregar uma medalha para um jogador do time campeão casualmente no seu bolso, um dos casos que virou comédia pastelão no meio esportivo. Logo após certo 7x1...

Tentando entender o que acontece, até porque grande parte do público do Pocket Hobby não acompanha noticiários esportivos, simplifiquemos: a FIFA controla, organiza e lucra com o futebol no mundo todo. Há mais países filiados à ela do que na ONU (209 x 197) e, sempre onde existe dinheiro e poder, as possibilidades de corrupção correm soltas e claro ha também muita politicagem no que se refere ao futebol. Lembre-se de que estamos falando de um esporte que não se adequa às novas tecnologias (oferecendo jogos mais limpos e livres de erros) apenas para manter as discussões sobre o jogo no dia seguinte.

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Voltando ao futebol, desde a escolha do país-sede da Copa de 2006 é envolta em polemica: a grande favorita era a África do Sul mas, surpreendentemente, a Alemanha foi a escolhida - na mais apertada disputa. O placar foi de 12x11 e misteriosamente um dirigente não compareceu para provavelmente empatar a disputa. Naquele dia, o rodízio proposto pela própria Fifa (que iria valer para a Copa de 2010 na terra das vuvuzelas) acabou.

Para 2014, o Brasil foi o candidato único. Hugo Chávez até tentou fazer uma graça, mas não tinha como: a Copa aconteceu em terras brazucas, envolta em corrupção, superfaturamento de obras públicas, e mesmo com Jerome Valcke querendo dar um chute no traseiro brasileiro a copa foi um grande sucesso - para quem lucrou com ela.

Já as próximas copas, bem... São escolhas ainda mais suspeitas.

2018 é da Inglaterra, com o campeonato mais abastado e bem sucedido do mundo, afinal é muito difícil competir com um pais que se paga em libra e ainda por cima pode receber em direitos de transmissão de cerca de 22 bilhoes de reais em 4 anos. O país queria coroar seu grande momento sendo sede da copa mas... A escolhida foi a Rússia, apesar dos conflitos com Chechênia e Ucrânia - além, é claro, dos vídeos mais absurdos da internet.

Contudo, o mais estarrecedor e inexplicável foi a escolha do Qatar como sede de 2022. Os Estados Unidos, com infraestrutura renovada, um campeonato em franco crescimento (falamos disso por aqui) e sendo o maior mercado consumidor do mundo perderam para o país árabe. Vai te Qatar, FIFA...
Tão difícil quanto saber a escrita certa desse pequeno país mantido pelos petrodólares e sheiks que compram tudo o que veem pela frente (tanto que até querem chegar ao espaço) e adoram circuitos de Formula 1, é entender um país com tantas influências europeias e asiáticas. Vários bilionários da região brincam de Football Manager para sustentar times como Barcelona e Manchester City, talvez isso explique muita coisa....

O grande opositor do presidente Joseph (Sepp) Blatter é a Europa (Uefa), presidida pelo ex jogador francês Michel Platini - que aliás tem um belo telhado de vidro, pois foi favorável à escolha do Qatar como sede da Copa, mesmo sabendo que a copa acontece no VERÃO local, com temperaturas que chegam a 60 graus. Até cogita-se a realização da Copa em dezembro ou janeiro, o que prejudicaria todo o calendário dos campeonatos pelo mundo. Sem contar que o mesmo Platini intermediou a compra de um grupo Quatari do clube Paris Saint Germain numa relação ate hoje mal explicada...

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Após a tão alardeada prisão de várias figuras de peso, houve a eleição e mesmo com o candidato Príncipe jordaniano Bin Hamann apoiado pela Uefa - pois é jovem (39 anos) e não precisa de dinheiro (não vai roubar) - Sepp Blatter foi reeleito para mais 4 anos. Ele chegou a afirmar que iria entregar uma FIFA limpa para o próximo mandato, mas obviamente que os americanos (ainda de cotovelo doído por não terem se tornado sede) e os britânicos ficaram p&%#s da vida.

No fim de semana, descobriram que Jerome Valcke (aquele do chute no traseiro) recebeu 10 milhões de dólares de construções da copa da África do Sul através de um fundo de desenvolvimento da Concacaf (América do Norte). O homem mais próximo de Blatter e praticamente um porta-voz da FIFA no que cerca as Copas do Mundo (basta saber que a Copa representa aproximadamente 90% do orçamento da FIFA de 4 anos) caiu e, juntamente com a pressão dos patrocinadores (que custeiam cerca de 700 milhões por ano) levaram à renúncia do homem que nunca deveria ter sido eleito. Apesar de ter convocado uma eleição extraordinária para o final do ano, Blatter ainda segue no poder e muita coisa pode ser descoberta até lá.

Na FIFA se gritar ''pega ladrão, não fica um meu irmão''

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