E agora, Nintendo?! - Play For Hobby

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Mandos, desmandos e evoluções da mais japonesa de todas as gamers
A Nintendo está oficialmente fora do Brasil. E a culpa é nossa.
Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

Quando a notícia saiu na mídia brasileira, vários canais (inclusive na internet) pareciam "surtados"; alguns diziam que "isso é um absurdo", outros culpavam os altos impostos - e, de quebra, criticavam o governo -, mas a verdade é que nada disso realmente importou na decisão da Big N.

Diferente da Microsoft (empresa nascida nos Estados Unidos) e da Sony (de origem japonesa, mas multifacetada em divisões praticamente independentes entre si), a Nintendo, quando declarou sua saída, estava pensando muito mais adiante. E agora sabemos o porquê.
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Tantos heróis, tantas trapalhadas...
Decidimos abordar o assunto no Pocket Hobby neste momento que ele deixou de ser "novidade", pois internamente já discutimos bastante sobre o posicionamento comercial da Nintendo, e hoje, após o frisson sobre o tema baixar, temos plena ciência sobre as diferenças de condução dos negócios entre ela e suas concorrentes, que respondem a acionistas de diversas nacionalidades e operam praticamente no mundo todo. Os criadores do Mario ainda se importam muito mais com o mercado interno do Japão do que em "dar as cartas" no jogo global de poder do entretenimento moderno, além de, há tempos, estarem mudando o foco de seus negócios.

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O maior exemplo desta diferença de mentalidade está no concorrente PlayStation 4, console da Sony, lançado em novembro de 2013 nos Estados Unidos e Europa (chegando pouco tempo depois por um preço ridículo no Brasil); contrariando a lógica, o videogame chegou às prateleiras japonesas somente em fevereiro de 2014 - um atraso injustificado, sem precedentes, que decepcionou fãs e depreciou o valor de mercado da empresa dentro do Japão. O X Box One também chegou (muito) atrasado, e uma simples pesquisa basta para percebermos como as vendas da empresa são ínfimas dentro do segundo maior mercado de jogos do mundo.
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Contudo, a Big N ainda se mantém forte às raízes, vendendo mais consoles e portáteis do que as concorrentes dentro do arquipélago. O mercado externo, as exportações, entram na equação de lucros e prioridades da empresa como "rescaldo", já que ela não possui como estratégia de negócios competir com PS4 e Xbox One no ocidente.

Para entender o pensamento nintendista, basta compararmos as diferenças de hardware, títulos de games, preços mais baratos que a concorrência e a nova abordagem dos produtos, que estão migrando para plataformas móveis. Havia, claro, a questão alfandegária brasileira, que não é, exatamente, um modelo de seriedade, os impostos abusivos e a inviabilidade da construção de uma fábrica no Brasil (o que solucionaria de vez o problema, mas está longe da cabeça dos chefões do Zelda).

Nada disso é do interesse da Nintendo, Ela continuará centrada no Japão, agora mais do que nunca levando seus títulos para aparelhos móveis, iPhones, tablets e, para os brasileiros... Só resta lamentar.

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