ΛLDNOΛH.ZERO - Hobby Cartoon

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Robôs Gigantes, Lutas Épicas, Plot Twists... e Michael Bay Style!

ΛLDNOΛH.ZERO

18 de março de 2015 - Atualizado em 26 de maio de 2015
Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

Recentemente conheci duas histórias onde a Lua era parcialmente destruída... Seria uma previsão macabra?

Antes de mais nada, há que deixar claro: avaliar algo on course e que pode tomar um rumo completamente diferente do imaginado requer certa dose de "achismo". Muitas das opiniões aqui inseridas partem do pressuposto de que o roteiro manterá o nível atual, e que os produtores não cederão às pressões e tentações de patrocinadores no Japão por episódios feeler, reviravoltas que não levam a lugar nenhum (apesar de acharmos que isso já aconteceu...) ou, à exemplo do final de Evangelion, sofrerão reboots e desmembramentos intermináveis por conta da pressão do mimado público japonês.

Portanto, ligue sua suspensão de descrença e entenda a trama:

ΛLDNOΛH.ZERO estreou em Julho de 2014, e no momento está em sua segunda temporada. Produzido por Olympus Knights e A-1 Pictures, tem como diretor Ei Aoki (que dirigiu dezenas de animes de sucesso nos últimos anos) e seu criador original é Gen Urobuchi. Talvez o nome não diga grande coisa, mas saiba que esse é o mesmo cara por trás da ótima ficção futurista Psycho Pass, do lindinho Madoka Magica e de Fate/Zero (o que pode significar outro anime interminável). 


O plot inicial, ao contrário de outras obras do gênero, remete ao passado: em 1972 astronautas da Apollo 17 descobriram uma espécie de portal dimensional (alien hypergate) na Lua que levava à Marte e, utilizando-se desta tecnologia, alguns humanos colonizaram o planeta. Logo, os colonos reivindicaram Marte e seus segredos (detalhe importante!) para si, e uma guerra contra a Terra, por motivos óbvios, foi inevitável. Durante uma batalha em 1999, o Hypergate lunar explodiu, selando a passagem, destruindo parte da Lua e exilando 37 batalhões do exército imperial marciano no Cinturão de Detritos Lunares que se formou acima do nosso planeta. Durante 15 anos, houve um cessar-fogo - que acabou por motivos que explicarei a seguir.

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A Terra sofreu as terríveis consequências desta desintegração parcial da Lua: mudanças climáticas, aumento dos níveis do mar e outra série de desequilíbrios a la Discovery Channel. Hábitos mudaram e, para o deleite dos malucos ultra-nacionalistas nipônicos que atualmente governam no mundo real, os militares dominaram vários aspectos da vida cotidiana - modificando, inclusive, a grade dos alunos nas escolas, obrigando-os a aprender táticas de guerra e treinando-os em mechas alaranjados para, algum dia, revidarem possíveis ataques de Marte.

Tudo neste anime lembra Full Metal Panic!: o estilo dos robôs, a principal personagem feminina, o protagonista, as táticas... Parece até um remake da série original (com boa trilha sonora).
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Ao me deparar com tal premissa, foi impossível não lembrar também de Code Geass: estados totalitários, monarquias hereditárias, imperialismo, militarismo, expansão territorial, robôs gigantes com tecnologia superior e humanos com habilidades especiais - já vi isso antes, muitas outras vezes. Pude me surpreender e me decepcionar, ao decorrer dos episódios, com a profundidade que - nem sempre! - os autores impingiram ao trio principal. Qualquer semelhança com Lelouch, Suzaku, Nunally & Cia. não é mera coincidência...

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Inaho
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Lelouch




Vs




Diz-se que, a cada temporada de animes, existirá pelo menos um título que envolva: mechas, um protagonista masculino jovem, uma situação esdrúxula que o colocará no assento do piloto e algo fantástico que o transformará na última esperança dos mocinhos. Se, por um lado, em Code Geass temos um príncipe exilado na Área 11 que recebe poderes ocultos para realizar sua vingança, aqui temos a jornada para a ascensão de um terráqueo que vive entre "marcianos" - e sofre horrores por sua origem, numa clara alusão ao que acontece atualmente no Japão "de verdade" (que o digam os brasileiros que estudam em escolas japonesas ou trabalham nas fábricas...). Como se não bastasse, também temos outro protagonista, inteligente e metódico, em defesa da Terra, cujo QI causaria inveja a Light Yagami...

E é aí que a cabeça de muita gente explode: por quem torcer? Slaine ou Inaho?

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Inspirando-se na origem da Primeira Guerra Mundial (quando o arquiduque Francisco Ferdinando foi assassinado), Aldnoah Zero começa propriamente com um atentado contra a princesa marciana durante uma visita de paz ao Japão (claro que tinha que ser aqui!) que reacende a chama da guerra e causa uma invasão à Terra que dizima milhares de vidas. Claro que os plot twists à partir deste ponto ficam um tanto óbvios, portanto sem dar muitos spoilers, vamos aos motivos que tornam este anime indispensável para todos os públicos:

Mechas Poderosos, Pilotos Arrogantes

Pense assim: enquanto os marcianos possuem um Knightmare Frame de última geração, mega fuderoso capaz de dizimar unidades militares inteiras, os humanos possuem apenas Mobiles Suits lentos, enferrujados e mais parecidos com os Titãs do decepcionante game Titanfall. Cabe a Inaho a difícil tarefa de, em clara desvantagem tecnológica, criar cenários de batalha onde os terráqueos tenham alguma chance de vitória - e é aí que reside a maior parte da diversão do anime. Com poucos recursos, estando em posição de inferioridade, a humanidade ainda assim mostra-se combatente.

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Redefinindo Conceitos

Aldnoah Zero, durante toda a primeira temporada, foi capaz de mudar o conceito atual de "bom encerramento de episódio". Afinal, não existem finais felizes num mundo assolado pela guerra, e mesmo quando batalhas são vencidas, o preço cobrado por elas é alto. Ninguém escapa ileso à violência das lutas e à arrogância dos Cavaleiros da Órbita. Depois do primeiro tiro disparado, nem mesmo títulos de realeza são capazes de conter a sede por sangue de pessoas que engoliram o orgulho próprio por tempo demais. E, convenhamos, mesmo que você tenha assistido "arrastado" a primeira temporada, o capítulo final vai te prender à continuação da série.

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Dois Lados da Mesma Moeda

A Princesa Asseylum recebeu o título de co-protagonista da trama porque, como nenhum outro personagem, foi capaz de guiar o público tanto pelas entranhas do Império Marciano quanto por recantos de uma Terra ferida e devastada (lembra que a Lua explodiu?). O espectador acaba acompanhando os dois lados da história por meio da princesa, apesar de, com o tempo, a personalidade dela se tornar um pouco enjoativa. E é aí que reside o calcanhar de Aquiles do desenho.

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Apesar de suas qualidades, o anime mostra-se fraco em vários pontos: tenta ser um show de mechas, quando na verdade subestima os robôs; procura ser um drama sobre a guerra, mas falta-lhe amplitude e conhecimento de causa. E ainda gosta de trollar o espectador - quando você começa a criar um vínculo com os personagens, é aí que algo esmerdalha a trama e vira tudo de ponta-cabeça. A inconsistência deles incomoda... Mas Game of Thrones faz isso o tempo todo e os fãs ovacionam todas as reviravoltas, portanto...

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