A Coreia do Norte Atacará o Japão?

Coisas que já não me irritam mais - Cultural Shock

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Saiba algumas vantagens e desvantagens de se morar no exterior

Morar no Exterior

Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

Ser brasileiro só não é pior do que ser russo: temos o iPhone mais caro da galáxia, automóveis com preços mega inflacionados e de péssima qualidade (afinal, o Lada pode até ser feio, mas é muito mais resistente que o seu 1.0), impostos astronômicos e serviços (tanto públicos quanto privados!) mulambentos e desonestos. Só ganhamos dos spasibas em dois dois quesitos: no Brasil ninguém morre congelado na neve e não há crokodile. Ainda.

Convivendo com tantas situações adversas, é comum encontrarmos várias falácias sobre o Japão - comentei sobre algumas delas num post anterior, aqui - mas certos valores pessoais meus só foram postos à prova quando saí do país e esqueci completamente de alguns problemas do dia-a-dia que tornam nossa vida brasileira mais difícil, tais como:

Preços de eletrônicos
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Contrariando as piores previsões de cotação do dólar e sem prévio aviso, várias empresas de eletrônicos (inclusive a Apple, considerada uma das mais caras no país) têm aumentado constantemente o preço de seus produtos no Brasil (incluindo devices desatualizados, os out-to-date). Na contramão disso tudo, aqui no Japão possuir um dos novos iPhones continua custando exatamente... Nada.
Isso mesmo, nadica, zero, porra nenhuma. Basta assinar um contrato de dois anos e pagar uma mensalidade em torno de 6.000 ienes (55 dólares). O aparelho sai de graça e, em determinadas épocas do ano, até os planos são mais baratos.

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Já no Universo dos PCs a diferença de preço entre periféricos e máquinas é assombroso - o mesmo produto pode ser encontrado até oito vezes mais caro no Brasil. A escapatória a esta situação geralmente passa por sites chineses e talvez o pior serviço brasileiro de todos, os

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Está na letra da lei brasileira: a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (alguém aí já utilizou um telégrafo?!), cuja fundação data da época do Brasil colônia, detém até os dias de hoje o monopólio completo no recolhimento, transporte e distribuição (entrega) de cartas e encomendas em todo o território nacional. E todos sabemos muito bem como esta estatal é eficiente, segura e bem equipada...

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Pipocam internet afora exemplos de maus tratos a encomendas, atrasos, roubo de pertences, descaso e, inclusive, denúncias de corrupção envolvendo os Correios - mas a empresa segue firme, sem concorrência ou comprometimento com a qualidade no serviço prestado.

Contudo, vivendo no Japão, já tive o prazer de receber na porta de minha casa num feriado ou mesmo tarde da noite (nove ou, inclusive, dez horas) encomendas - inclusive internacionais! - em perfeito estado de conservação. Jamais fui taxado por qualquer item recebido, independente do valor do bem, e nunca tive qualquer problema. E sabe porque?

Aqui no Japão, além dos Correios (Yubinkyoku), existem empresas privadas de entrega, como Kuro Neko, Takyubin, FedEx, DHL e outras, concorrendo livremente pelo transporte de cartas, malotes e bens. É um bom exemplo do livre mercado trabalhando pelo bem do consumidor e, acredite, deixar de me preocupar com se minha encomenda chegará ou não garante menos dor de cabeça em minha vida.

Problemas de conectividade
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Faça chuva, sol, nevasca, tufão ou terremoto, minha internet só esteve fora do ar durante poucos minutos em dois anos. Isso mesmo, DOIS ANOS. Também nunca tive dificuldades quando escutava podcasts ou assistia vídeos pelo celular, mesmo a bordo de trens de alta velocidade, dentro de túneis ou no meio das montanhas. Para quem trabalha diariamente usando a internet, a eficiência neste serviço é essencial.

Enquanto isso, no Brasil, existem milhões de denúncias sobre abusos por parte das operadoras, traffic shapping e cobranças indevidas - isso quando a internet funciona. 4G então, apenas em alguns pontos turísticos e/ou movimentados de capitais....

Inexistência de desculpas esfarrapadas
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Aqui vai uma dica para quem já vive no Japão: grandes lojas, principalmente de marcas famosas de cosméticos e maquiagens, costumam oferecer brindes e amostras dos lançamentos para seus clientes.

Mesmo quando o assunto é sério (nas famigeradas repartições públicas ou dentro de bancos, os campeões de queixas dos consumidores brasileiros), jamais escutei o clássico "tem, mais acabou", ou "a pessoa que você procura saiu pra almoçar"; aqui no Japão as coisas funcionam. Um tanto lentas, confesso (porque os japoneses não são lá criaturas muuuito eficientes), mas funcionam.

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Por fim, em absolutamente todo os lugares, recebo o troco correto: faça uma conta rápida e diga quantas de suas moedas já foram "abocanhadas" pelo supermercado, padaria, banca de jornais, caixa de banco... na hora do troco?! Quantas balinhas de gosto ruim você não teve que engolir de mau grado, e depois se arrependeu por te faltar 8 centavos e ter uma compra recusada?

Provavelmente aqueles centavos que a caixa do supermercado "não tinha" pra te devolver jamais te façam diferença, entretanto o modus operandi de grandes e pequenas empresas (WallMart, Carrefour, Casas Bahia, a padoca do Manoel na esquina) que instruem funcionários em tais práticas, por si só, já demonstra a desonestidade crônica do Brasil: um centavo é um centavo, e o comércio japonês é estrito neste assunto: não há troco suficiente no caixa, as portas da loja não abrem. Simples assim.

Explicamos melhor sobre os hábitos japoneses durante as compras aqui - recomendo a leitura.


Temos muito a aprender...