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"Burrocracia" por todos os lados - Cultural Shock

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Os procedimentos que transformam a vida de todos num inferno

Burrocracia por todos os lados

Texto: Renato Brandão
Edição: Pocket Hobby

O dia-a-dia do brasileiro nunca foi fácil, e não há motivos para imaginar que algo melhore. Contudo, não pense você que a burocracia é exclusividade tupiniquim – respire fundo, tome coragem e simplesmente aceite: o mundo inteiro é extremamente burocrático (e burro).

E isso também inclui o Japão que, ao contrário da minha terra-natal, deveria servir de modelo quando o assunto são regras e boa educação, mas muitas vezes o que foi projetado para funcionar acaba mais atrapalhando do que ajudando.

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Documentações exigidas para procedimentos simples  - uma simples troca de endereço, por exemplo - são intermináveis: mesmo que você preencha sete vias do formulário de pedido com um japonês perfeito (após dezoito tentativas e um contêiner de papel jogado fora devido a pequenos equívocos), leve consigo passaporte, documentação japonesa, holerite carimbado pelo Ministério do Trabalho, carteira de motorista, carteira de estrangeiro, certidão de nascimento, cinco fotos, uma testemunha e um padre budista para simplesmente provar que você está vivo... Nada disso terá valor sem um hankō. Aliás, já vá aprendendo que esta palavra significa "pequeno carimbo milenar cor-de-sangue que pode salvar (ou foder) sua vida".

Parece exagero, e imagino que isto não seja nenhuma novidade – afinal, se você pensa que é difícil falar com sua empresa de telefonia no Brasil, é porque nunca lidou com trâmites públicos orientais. Só que deste (outro) lado do mundo, o motivo das dores de cabeça não é o “jeitinho brasileiro”, são os MANUAIS.

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Existem regras demais PRA TUDO, e praticamente NADA realmente importante está traduzido (a não ser que você considere o horóscopo do próximo mês na revista brasileira mais importante do que sua declaração de impostos...). Ninguém move uma palha se não estiver tipificada no manual, e não há exceções, mesmo quando você finalmente se dá conta de certas regras simplesmente não fazem sentido lógico. Não adiantará explicar para o funcionário à sua frente – a resposta é sempre a mesma “está no manual, é assim que tem que ser”. Funcionários públicos japoneses são irredutíveis, ineficientes e extremamente lentos.

Aqui, como no Brasil, o excesso de regras também é nocivo – por motivos diferentes.


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