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Como pensa a sociedade japonesa: ideais e mundos diferentes - Cultural Shock

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Ideais e Mundos Diferentes


Educação Pública e Gratuita
um conceito que japoneses (e brasileiros!) ainda não entenderam.

O sistema educacional verde-amarelo está (sem dúvida) cheio de problemas: escolas públicas sucateadas, professores out-to-date, salários vergonhosamente baixos, violência dentro de salas de aula, desvios de verba, corrupção e (muito) favoritismo.
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Estranhamente, nossas Universidades Federais e Estaduais sempre aparecem em rankings de excelência e, principalmente, os salários altíssimos dos “Professores Doutores” (sujeitos muito mais preocupados com a própria carreira do que com os valores de um educador) e do pessoal técnico-administrativo já comprometem, por exemplo, 106% do orçamento da USP. Isso mesmo, a "melhor" pública brasileira ainda não aprendeu matemática. Via de regra, as famigeradas “Greves” já possuem espaço cativo no calendário letivo das instituições de Ensino Superior (o que, diga-se de passagem, não muda quase nada na rotina “normal” de certas universidades).

Enfim, não adianta nada possuir um sistema público de ensino quando ele simplesmente não funciona.

Contudo, aqui no Japão, o panorama é bem diferente... Toda escola pública cobra mensalidade. Sim, o valor é bem baixo, quase simbólico e perfeitamente acessível dentro da realidade local. Mesmo quando a família não possui condições financeiras, o governo sempre termina liberando algum subsídio...
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Durante a Universidade, a situação se complica: no modelo americano de Ensino Superior, são pagos valores (semestrais ou anuais) que, sem metáforas, facilmente compram uma Ferrari – o que causa a dívida multi-trilhardária descrita pelo John Oliver (apenas em inglês). 

Seguindo o mesmo exemplo descabido, o Japão possui um Ensino Superior pra bolsos “superiores”, com Universidades "Híbridas" (públicas, mas que cobram anuidades astronômicas) e Privadas. A possibilidade de uma educação gratuita sequer é discutida e, por isso, muitos jovens recém-diplomados começam sua vida laboral literalmente enterrados em dívidas.

Existe o lado bom - nada de cotas étnicas, reserva de vagas, porcentagens, favoritismos: entra quem merece (de Okinawa a Hokkaido) e pode pagar, sem protecionismos. 

Quando explico a amigos ou conhecidos que nunca gastei nenhum centavo durante a faculdade, eles me olham como se eu fosse o maior mentiroso deste lado do Pacífico: “Como assim, de graça?!”, perguntam; e eu respondo: “De graça e de melhor qualidade do que numa particular. Mas, para chegar até lá, custei a meus pais mais de uma década de mensalidade cara em escolas privadas”. E é nesse momento que a cabeça deles surta de vez.

O que nos leva às Leis de Trabalho
depois de estudar, hora de "pegar no pesado"

Assim se define a diferença de pensamento entre ocidentais e orientais: “O brasileiro trabalha para viver, enquanto o japonês vive para trabalhar”.
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A Consolidação das Leis do Trabalho é um texto que serviu, muitas vezes, como objeto de estudo por parte de órgãos internacionais, Universidades Europeias e, inclusive, governos de “países do primeiro mundo”. O motivo? São ideais, bem escritas e cumprem a função que toda lei deveria ter: normalizar as relações entre cidadãos, empresas e Poder Público, protegendo e amparando os “mais fracos” da influência ou força bruta dos “mais fortes”.

No papel, as leis trabalhistas brasileiras são lindas, redondinhas e beneficiam o empregado (agradeça a Getúlio, o Populista). Mas a excelência acaba aí. Nosso problema está na parte prática, no momento de “fazer valer” qualquer tipo de regra. Afinal, os impostos são muitos, abusivos e inúteis, a informalidade beira porcentagens astronômicas e “levar vantagem” é regra no Brasil (não exceção).

Agora esqueça sua realidade por um momento e imagine-se no Japão, com 24 anos ou menos. Antes do final do curso, a maioria dos formandos já inicia a sabatina de enviar centenas de currículos, entrevistas, enfim, se encaixar no mercado, pois, como disse Scott Fitzgerald, “não há segundo ato nas vidas americanas” – muito menos nas vidas japonesas.
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Recém graduado, com um diploma debaixo do braço e casamento à vista (sim, a maioria deles contrai matrimônio ridiculamente cedo para os padrões ocidentais), não há chances de sobrevivência sem a estabilidade de um emprego fixo – pois você já sai de qualquer Universidade devendo vários (muitos) milhões de ienes, longe de seus pais e sem apoio financeiro de ninguém. Por isso que se tornar salaryman é obsessão nesta sociedade (falei deles aqui).

Mesmo sendo estrangeiro de origem, as quase duas décadas de estudo e curso até agora com certeza te deram a fluência necessária na língua e cultura japonesa, por isso é possível procurar um emprego conveniente, pesquisar por conta própria todas as regras, portarias, decretos e regulamentações que compõem as leis trabalhistas orientais e os diversos tipos de contratos laborais que certamente se apresentarão diante de ti, certo? Bem...

Nem tanto.

Leis Japonesas são, quase sempre, vagas, incompletas, obsoletas e controversas (agradeça ao passado - bastante presente - imperialista e militar do Japão). Tais regras são escritas numa linguagem extremamente polida e antiga, o keigo, indecifrável até mesmo para os próprios japoneses... E normalmente protegem os empregadores, em detrimento do que nós, latinos, consideramos “direitos”.

Exemplo: todo trabalhador brasileiro tem direito a 30 dias por ano de férias remuneradas, além de 30% de adicional no salário durante o período. Sabe quantos dias por ano um japonês possui de férias remuneradas?!

Zero. Nenhum. Nadica. P#%$@ nenhuma.

Em contrapartida, são dados “yūkyū”, descansos remunerados que variam entre 7 a 14 dias por ano. Tais dias são, segundo as empresas, para que o trabalhador possa faltar por motivos pessoais ou de saúde (atestado médico?! Nem pensar!) sem perdas salariais. Algo como as “abonadas” dos nossos funcionários públicos.

Nenhum empregador consegue sequer conceber a ideia de pagar a um funcionário que está em casa descansando!

Há também os bônus, pagos duas vezes ao ano, mais ou menos o equivalente ao nosso 13º salário - por conta da crise econômica, são cada vez mais raros os que recebem tal benefício.

Fica cada vez mais fácil entender as altas taxas de suicídio do país...



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