Vamos a Nagoya Ver Tailandesas?

Bom atendimento: uma cultura no Japão - Cultural Shock

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Vamos às compras?

Um dos maiores choques culturais que sofri ao chegar ao Japão, no longínquo 2011, foi o atendimento que recebo diariamente. Não só em alguns, mas em todos os lugares: lojas de conveniência, supermercados, correios e até mesmo em repartições públicas - o que, para qualquer brasileiro, pode até parecer coisa de outro mundo. E, na verdade, é mesmo.

Acostumado a ser atendido "à moda caralha" no Brasil, percebi que seria impossível não me surpreender - afinal de contas, a menos que você tenha nascido na Terra do Sol Nascente (ou emigrado muito cedo), os níveis do Customer Service oriental deixarão o seu queixo tão caído quanto o meu.

Neste país imperial, não é exagero dizer que todos os clientes são tratados como membros da própria realeza, estejam comprando um chocolate na lojinha da esquina ou uma TV 4k de 120" - às únicas excessões a esta regra geralmente estão associadas a maus tratos por parte da Softbank, talvez a maior operadora de celular japonesa - mas até aí nada diferente do nosso país Tupiniquim, não é mesmo?

Dentre tantos exemplos de excelência, duas (não tão) sutis diferenças no tratamento ao público me chocam até hoje são:

Receber o produto comprado na porta da loja

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MAIS OU MENOS ASSIM....
Imagine-se na seguinte situação: você está em uma loja, olha uma vitrine aqui, outra ali, sem ser abordado insistentemente por nenhum vendedor dizendo "oi bem, posso ajudar?" (como eu ODEIO vendedor de loja que chama os outros de "meu bem"...). Mas enfim, lá está você, conferindo uma coisa, bisbilhotando outra, até decidir-se por determinado produto - um relógio, um chocolate, um óculos de sol novo, não importa. Imediatamente, ao estalar dos dedos, materializa-se um atendente sorrindo a seu lado, que explica cada detalhe do produto, preço, forma de pagamento (claro que, se você não fala japonês ou não está acompanhado por alguém que fale, poderá enfrentar a partir daqui situações embaraçosas).

O vendedor é paciente, apesar de firme. Ele não insiste para que você avalie outros 3.714 modelos diferentes, nem tenta te empurrar logo de cara o lançamento mais caro. E você, caro comprador, após milhões de dúvidas pipocando na mente, como "acho que vi em outra loja mais caro", "essa marca é boa?", "essa cor ou a outra?", acaba se decidindo. É encaminhado ao caixa, paga, recebe a nota e... A estátua do vendedor, com o (agora) seu produto nas mãos, não se move. Ele não te entrega, apenas acena pacientemente com a cabeça e sorri, dizendo "obrigado pela compra".

- Ok, amigo, de nada, agora entrega a porcaria da sacola que eu quero ir embora!

Não, ainda não. Até o momento que você não decida sair da loja, o vendedor permanecerá ali, com o pacote diante do peito, esperando. Somente na porta da loja é que o vendedor te dá o embrulho, praticamente gritando "arigatō gozaimasssuuu" e dobrando-se numa reverência tão curvada que causaria inveja a Daniele Hipólito.

Claro, existe a vertente "comum" de atendimento nas grandes cadeias de lojas estrangeiras como Zara e Bic Camera, onde no caixa mesmo seu produto é entregue. Mas ainda assim, o atendimento é impecável, e mesmo as grandes redes repetem o próximo costume...


Point Card
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MINHA "PEQUENA" COLEÇÃO
No Japão, a concorrência entre lojas é descomunal. Estamos falando de uma ilha um pouco maior do que o Estado de São Paulo, mas que concentra a população de 80% do Brasil; grandes cadeias de lojas (Bic Camera, Yamada Denki, EdiOn, KS) disputam à tapa os clientes japoneses, tidos como os maiores consumistas do planeta. Portanto, cada restaurante, cabeleireira, loja de conveniência ou até mesmo a padaria da esquina tem seu próprio cartão de pontos, onde os clientes, a cada compra, acumulam ienes de desconto, pontos extras e benefícios futuros, num círculo vicioso de gastos e recompensas. Vale praticamente tudo na disputa pela preferência do cliente - e ele sempre tem razão.

São tantos cartões exclusivos, selinhos de afiliado, números de fidelidade para decorar que até comprei uma carteira maior - pois nunca se sabe quando posso precisar de algum deles, não é mesmo?

É uma tradição recente, mas tão arraigada na sociedade japonesa que até meu médico tem seu cartãozinho de pontos: pague nove, a décima consulta de gripe é grátis. E estou falando sério.

Observação: obviamente existem estabelecimentos que operam de maneira diferente, porém a maioria quase absoluta segue o padrão descrito.

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